26/01/2012

Size do matters

Perdi o contacto visual directo com os "países baixos". Já sei como se sentem os homens que deixam de ver a pilinha.

24/01/2012

Confissões nocturnas

O que eu gostava mesmo era de não ter me levantar de hora em hora para fazer chichi. E que esse pequeno trajecto não me desse tempo para pensar em coisas que me tiram o sono, tipo comida. E que o cérebro demorasse um pouco mais a enviar essa informação ao estômago.

23/01/2012

Ainda sobre a felicidade e as pipocas do Sr. Sabino*

(Michael) - Olha... Olha ali um Jaguar dos novos!
(Euzinha) - E?... Ele tem um Jaguar dos novos, eu tenho um pacote de pipocas do Sr. Sabino. Quem é mais feliz?

É tudo uma questão de perspectiva.

*Texto baseado num diálogo verídico de um sábado soalheiro deste Inverno de 2012.

Pequena fórmula para a felicidade


Praia, sol e as pipocas do Sr. Sabino.


Isso e ter uma cremalheira invejável como a minha.


Temos o dever de ajudar os outros, por isso apelo ao vosso coração


Sinceramente, não sei o que é pior. Se o nosso PR ter decidido gozar com todos os portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza e que, este ano, irão aumentar exponencialmente. Ou se é o facto de ele ter decidido chamar-nos estúpidos, mentindo sobre os verdadeiros valores que aufere.
Isto, num país a sério, daria direito a uma exigência de demissão.

11/01/2012

Parvoíces do "aborto" ortográfico (1)

Agora um tecto passou a ser uma maminha...
Cuidado ao trocarem correspondência com um amigo(a) que more longe e que queiram visitar. A simples pergunta: "Dás-me teto?", em "abortês", pode ser interpretada como: "Dás-me mama?". É lindo!

09/01/2012

Estás a ver? Afinal as cordas rompem...


E com este acidente, que acabou bem, encerrei os meus argumentos sobre saltar de pontes, ou de qualquer outro sítio. Michael, querido, deixa-me em paz, na minha ignorância vertiginosa e muito pouco suicida.

06/01/2012

A asneirada

Não imaginam a quantidade de vezes que ensaiei este post. Pareço uma miúda de 16 anos que hesita ao contar aos pais que, naquela noite em que chegou mais tarde, ela e o namorado se entusiasmaram e a camisinha não resistiu às emoções, e agora têm todos um grande problema para resolver.
Se ainda não perceberam o objectivo do post, eu dou mais uma dica: o tema da gravidez indesejada do parágrafo anterior não foi escolhido aleatoriamente.
Acontece que eu não sou uma fanática pró-vida, na situação que referi anteriormente, ou tantas outras, mas na minha situação em que tenho casa (aliás, tem o banco, durante muitos e longos anos), trabalho e tenho um marido que adora crianças, os meus argumentos perdem o seu vigor. Bem gostaria de ter tido coragem de me armar em Cristina Yang, mas isso faria tanto sentido como eu ser mãe. Já que se tratou de um empate, deixei o pénis dar mais uma opinadela sobre o assunto, já que é a única coisa que sabe e pode fazer, e bem... Terei de me aguentar à bomboca.
Passei os últimos 4 meses chateada, frustrada, revoltada com tudo e com todos. Parece incrível que tanta gente com aptidão para a parentalidade tenha de passar anos a tentar engravidar, ou tenha mesmo de recorrer à adopção e eu tenha engravidado por causa de um acidentezinho estúpido. Devo ter sido abençoada pela deusa da fertilidade, quando estive a olhar para a estátua dela, no Museu do Vaticano.
Quem me conhece e ainda não sabia, deve estar a levar as mãos à cabeça, ou gozar comigo, como todos os que já sabem fizeram. E secretamente pensam: “Meu Deus, o que vai sair dali?”
A preocupação deles não é vã. Toda a gente sabe que eu prefiro cães. Não cheiram a azedo, não fazem barulhos, nem birras irritantes. Podem ficar em casa dos “avós”, quando vou de viagem. Não tenho de mudar toda a minha vida em função deles. Nunca terão crises de adolescência. Podem ser esterilizados. Sei lá... Podia continuar a escrever sobre as vantagens de ter cães, mas a esta hora já me devem estar a chamar nomes.
Não é que não goste de crianças. Gosto de algumas, as bem-educadas. Sei que as mal-educadas não têm culpa. A culpa é dos pais, também mal-educados, mas eu não tenho de gostar nem de uns, nem de outros. E o facto de não achar que todos os bebés são uns anjinhos lindos, não faz de mim um monstro insensível. Penso que por não sentir aquele apelo maternal, consigo observar as coisas racionalmente. Os bebés são todos iguais e feiocos. Os brancos, então, estão em grande desvantagem, com aqueles tons roxos, crostas e pêlos. Os que se diferem por apresentarem traços fortes do pai, da mãe, ou dos avós são ainda mais feios. Parecem umas miniaturas estranhas, com cara de adulto em corpo molengo e minorca.
Mas vá... Tenho andado a tentar mentalizar-me de que aquele milagre de dar à luz (como se fosse só ligar um interruptor) me vai alterar de alguma forma e eu vou passar a achar tudo lindo. Por outro lado, não quero mudar. Preocupa-me pensar que me vou tornar numa dessas hipócritas que anda aí a dizer que é tudo lindo, como se se esquecessem de tudo o que confessam nos momentos mais negros. Preocupa-me pensar que me poderei tornar numa daquelas pessoas que parecem ter esquecido tudo o que foram, tudo o que fizeram e estão determinadas em fazer dos filhos uma ponte para ultrapassar as suas frustrações. Tenho receio de que as preocupações que implicam ter uma parte de mim aí à solta no mundo me arranquem o sorriso do rosto. E o meu sorriso é tudo. Será que vou ser feliz com esta opção?
É nisto que tenho matutado, dia após dia. É por isso que sempre que tentava escrever algo sobre isto, desistia. As perguntas são constantes. O medo de tudo aquilo que terei de passar é avassalador. E, no entanto, passa tudo tão depressa que nem tenho tempo de pensar.
Já só faltam 5 meses, ou menos, para me passar a dedicar, para o resto da vida, a outra pessoa. Terei de repensar tudo, fazer novos planos, traçar novos objectivos, tudo em função deste ser que só me faz doer a barriga. E ainda agora é agora...
Fiz asneira. Fiz uma escolha. Terei de viver com ela. Só espero encontrar um pouco da alegria de que tanto falam.

Hoje estou de luto

Entreguei o meu primeiro trabalho ao abrigo do maldito "aborto" ortográfico. O meu lema: "resistir, resistir, resistir!" não resultou e tive mesmo de juntar a eles. Juntei-me, mas inconformada. Sempre inconformada!

30/12/2011

Feliz 2012!

Dizem que é o ano em que o mundo vai acabar. Pelo menos, o mundo que conhecemos até agora. Por motivos bem diferentes, o meu pequeno mundinho vai chegar ao fim e nunca mais voltará a ser o mesmo. Mas ainda não ganhei coragem para escrever sobre a maior asneirada da minha vida. Por isso, deixo-vos só com os meus desejos de um excelente Ano Novo e muita força para ultrapassar adversidades.

28/12/2011

Afinal, era isso


O nosso primeiro-ministro só quer seguir o exemplo canadiano e tornar Portugal num país ainda menos qualificado. Só se esqueceu de dizer para não emigrarmos para o Canadá. Definitivamente, para lá não dá.

A vida não é meia dúzia de lá lá lás

26/12/2011

Este Natal disse que não dava prendas a ninguém

E não dei! Mas dei docinhos, que fiz com muito amor e carinho. E é este o motivo pelo qual não andei de blogue em blogue a desejar um feliz Natal. Passei os últimos dias atarefada, como uma formiguinha, de volta dos cupcakes, dos beijinhos de coco, dos brigadeiros, das farófias, por aí a fora (não me matem por não ser fã de doces tradicionais embebidos em óleo), e depois do peru e do bacalhau. Querem prenda melhor?

23/12/2011

HO HO HO!

Um feliz Natal a todos, com muita saúde (não convém adoecerem, se não tiverem dinheiro para pagar a conta), muita alegria e muito amor. Eles tentam roubar-nos a alegria, mas do amor ainda não se paga imposto.

17/12/2011

Estou a marimbar-me para o cliente. Hoje é sábado, não me apetece trabalhar!

Mas como não tenho um tachinho no PS (a este respeito, só tenho a dizer isto), que remédio tenho eu senão passar o fim-de-semana na labuta.

15/12/2011

Posso ser eu, que tenho mau feitio...

Mas vocês não chegam ao pé de um Eng.º Informático e pedem: "Olha, podes fazer-me aqui um programazito, num instante... de graça?"
Também não chegam ao pé de um Eng.º Civil e pedem: "É pá, tenho aqui uma obra que tens de vir dar uma olhada... de graça."
Também não chegam ao pé do vosso mecânico e dizem: "Olhe, mude-me aí o óleo... de graça." (até porque se for um homem a dizer isto, pode ser extremamente controverso)
E podia continuar com uma lista imensa de profissionais, que não prestam serviços de graça, e que nem vos passaria pela cabeça fazer tal pedido, por muito camaradas ou amiguinhos que fossem. Então, por que raio as pessoas me pedem para fazer traduções de graça?
Eu até nem me importo de ajudar, ou de fazer uma coisita aqui, ou ali. Não me cai nenhum bocado, é um facto. Mas confesso que me tira do sério quando as pessoas assumem que eu tenho de fazer algo bom, certificado e para ontem, de graça, só porque sim. Haja paciência! E respeitinho também era bom, não?

03/12/2011

31 já lá vão...


Despojos da "festa". A foto do sushi não é, obviamente, minha.

18/11/2011

Dilema

Pergunto ou não pergunto à minha afilhada se ela é lésbica?
Não que tenha alguma coisa a ver com isso, mas tenho curiosidade em saber se ela realmente tomou uma posição quanto à sua sexualidade, ou se aquilo que está no facebook dela se deve apenas ao fraco conhecimento da Língua Inglesa.

Ainda sobre o post anterior

Leu-se muita coisa sobre as asneiradas da entrevista da Sábado. Por incrível que pareça, até paninhos quentes puseram nos meninos, porque "oh, coitadinhos" não são obrigados a saber tudo. Confesso que isto me causou algum formigueiro na ponta dos dedos e não foi pela má circulação sanguínea.
Antes de mais, tenho de concordar com o facto de a entrevista estar muito mal escrita (mais uma prova de que a qualidade do ensino está a decair a passos largos). Pode até ser tendenciosa, porque não mostrou todos os entrevistados, e dizem os esperançosos que não mostraram os outros 90 entrevistados porque acertaram nas perguntas (yeah, right). Usar isto para chamar ressabiado ao jornalista e dizer que não deve ter estudado, já me parece uma grande falta de educação.
Pois é mesmo de educação de que estamos a falar. Há quem defenda esta tão massacrada geração, que tudo tem, porque no fundo, no fundo eles até sabem bué de cenas. Não sabiam era aquelas coisas, porque as perguntas foram mal feitas, porque os apanharam desprevenidos, é pá... e porque não era a área deles, não é?
A questão é que não estamos a falar de pessoas com o ensino secundário, estamos a falar de estudantes universitários, caraças! Não me parece mal exigir bem mais deles, tal como exigiram de mim e de tantos outros.
Ainda li uma idiotice sobre as elites e sobre a democratização no ensino superior. WTF? A verdadeira democratização do ensino deu-se na geração do meu irmão (aqueles que mostraram os rabos por depilar, na luta contra a PGA e mais tarde chegaram até a conseguir uma suspensão provisória das propinas). Eu ainda entrei para o ensino superior a pagar 60 contos (300€), valor que resvalou até aos mil euros (200 contos) em apenas 10 anos. Como podem achar que o ensino superior é democrático? Estes valores permitem o acesso ao ensino a todos os jovens? Muito pelo contrário, assistimos à crescente retoma do elitismo no ensino. E irrita-me ver oportunidades desperdiçadas por aqueles túneis de vento personificados.
Coloca-se ainda outra controvérsia: estamos a falar de jovens de 18 anos e eles não têm de saber tudo, sobretudo se não foi dado na escola. Ora aqui está o busílis da questão!
Não têm? Pois claro que não têm. E isto faz-me lembrar de uma grande professora minha que, um dia, numa aula do primeiro ano, nos disse que caminhávamos para uma sintetização do saber, para as engenharias do parafuso, onde o conhecimento de cada área é específico e isolado de todas as outras áreas. Isso permite-nos ser craques na nossa área e completamente ignorantes sobre tudo o resto que se passa à nossa volta (aproveito para fazer um profundo agradecimento a todos os meus professores do ensino superior, que nunca me facilitaram a vida e me fizeram puxar pelos neurónios).
Muitos destes jovens entrevistados são alunos de Psicologia. No meu tempo, a média para entrar em Psicologia era de 18 valores. Não sei se isso será diferente, agora. Mas um miúdo, que tenha uma média de 18, tem de ser inteligente. Devia saber um pouco além daquilo que vem nos livros. Saber interpretar o mundo com o seu próprio juízo.
Já no meu tempo havia garotos destes. Brilhantes nas aulas, toscos na vida. E não falo da esperteza para agir socialmente. Falo de saber expor, saber pôr em prática e saber relacionar todas as matérias que aprendemos nas aulas. Cheguei a conhecer pessoas com médias brilhantes, mas com quem era impossível ter uma conversa, porque eram, pura e simplesmente, burras.
O que era uma excepção e que eu julgava ser um acaso de uma lacuna qualquer cerebral, afinal tornou-se caso corrente, na actualidade. Os jovens são todos assim. São incapazes de procurar conhecimento fora das aulas. São incapazes de raciocinar, relacionar. E são quase incapazes de se interessar. Isto não nos deveria pôr a pensar no rumo do nosso sistema educativo e numa possível mudança do papel dos educadores, tanto professores, como pais?
Mais do que demonstrar a ignorância dos entrevistados, esta reportagem serviu para mostrar como esta geração (ou a maioria, porque é claro que existem sempre mentes pensantes) se encontra completamente desinteressada e alienada da realidade. Não é por não saberem quem pintou o tecto da Capela Sistina, mas porque a resposta, para muitas daquelas perguntas, passa diariamente nas notícias.
Se isto não é importante e grave, e eu estou a ser ressabiada, e a fazer uma tempestade num copo de água, e estou a ser ignorante porque não perco uma oportunidade para apontar o dedo às fraquezas dos outros, bem... Então, já não sei o que dizer.

17/11/2011

Afinal o conhecimento ocupa espaço, buuuuué de espaço!

E o resto do espaço é usado para exibir o penteado da moda, ou as últimas tendências da maquilhagem, ou ainda um chapéu vintage todo supimpa, comprado na feira da ladra, porque é bué de cool.
Não me quero armar em Velho do Restelo e dizer que no meu tempo é que era bom. Não sou, nem nunca fui um génio. Mas que tanta ignorância junta me incomoda, lá isso incomoda.

14/11/2011

Atirar areia para os olhos

Uns varrem sem-abrigos para debaixo do tapete, outros resolvem da noite para o dia, literalmente, o flagelo do tráfico nas favelas.
Talvez seja uma descrente. Talvez esteja a alimentar-me de ficção. Talvez... talvez... Mas, não sei porquê, acho estranho que uma bela noite, centenas de traficantes se tenham assustado com o facto de poderem ser presos e tenham dado à sola. Desvanecendo-se, pura e simplesmente, nos labirintos da Rocinha. Tudo para nos dizer que agora é seguro ir aos Jogos Olímpicos. Vá lá... A sério?

11/11/2011

Procura-se país de clima ameno e sem corrupção para futura emigração

Falava no outro dia com um colega, a.ka. contabilista, quando fui informada de que terei de pagar mais de mil euros, no próximo IRS, por um 13º mês que NUNCA recebo, numa taxa de especial de corrida, provavelmente chamada: Os Trabalhadores Independentes São Ricos p'a Caraças e Podem Perfeitamente Dispensar Mais Um Pouco. Ou então: Trabalhem Mouros! Ou ainda, e esta é a minha favorita: 70% para mim, 30% para ti! E Já Vais Com Sorte!...
Então e só agora sabes isso, tonhó?, pergunta o sábio leitor. Pois, ultimamente, além de andar com um estômago fraco, que me impede de ver a merda que passa nas notícias, também sinto que o cheiro do que vem aí é capaz de me deprimir de tal forma, que ainda sou capaz de optar pela solução grega para a crise e atar uma corda ao pescoço. Ou, então, agarro na pressão de ar do meu pai e vou para a porta do parlamento mandar chumbadas, qual versão light de um serial killer. O que poderia resultar em feridos graves, porque eu tenho uma péssima pontaria. Ou seja, poderia apontar para o rabiosque do nosso querido primeiro-ministro e acertar na careca lustrada do Sr. Portas.
Após estrebuchar toda a minha raiva, cheguei à conclusão de que o melhor seria procurar um outro destino para morar e deixá-los aqui a afogarem-se nas dívidas que fizeram. Mas que país? O Norte seria um destino óbvio. Justiça fiscal, quase nula corrupção, salários melhores... O único problema é mesmo o frio. Vá lá, eu gosto do Inverno, mas este nosso Inverno de temperaturas amenas de 16º. O meu cérebro perde capacidades com temperaturas abaixo dos 10º.
Mais hipóteses? As economias emergentes? China? NO WAY! Brasil? Sol, mar, caipirinha, água de coco... (som do Homer a espumar-se quando vê cerveja) Seria uma opção, mas quando penso nestes países, penso sempre que, apesar de agora terem dinheiro para comprar os nossos títulos de dívida, o dinheiro concentra-se apenas nas mãos de alguns, tal como cá, e que a população vive em condições muito piores do que a nossa. Além disso, trocar os nossos corruptos, pelos corruptos no Brasil é dar um tiro no pé, mesmo que seja só com a pressão de ar.
Foi então que comecei a elaborar uma teoria de como o calor deve ter alguma influência em despertar os piores sentimentos no Homem. Vejamos, os países que ficam uns bons graus acima do Trópico de Câncer, longe das delícias do calor, são os países mais estáveis, em termos económicos. As pessoas gostam de pagar impostos e os poucos corruptos que existem são punidos (a Rússia não conta). Abaixo desses e até à linha do Equador (ou talvez não seja preciso tanto) estão os países que estão medianamente na merda, os corruptos trabalham nas maiores empresas e governo, e os impostos são feitos para se evitarem. Depois temos os países abaixo da linha do Equador, que estão completamente na merda, toda a gente é corrupta e os impostos são as gratificações que se pagam a este ou àquele manfio, para não ter chatices. Haverá certamente, uma ou outra excepção, mal localizada neste mapa, mas não há-de fugir muito a isto.
Portanto, o calor deve ter outra espécie de efeito ainda não estudado. Estas discrepâncias gigantescas não se podem dever apenas ao facto de o calor nos tornar mais preguiçosos. Ou será que sim? Na falta de vontade trabalhar, procuram-se outras soluções de facturação fácil?
Também é interessante olhar para o mapa e pensar em pirâmides de poder. Quem está bem, está sempre na mó de cima, literalmente. Parece que até na Natureza, na ordem das coisas, há qualquer coisa que nos puxa para baixo dos pés de outros. E como somos burros, nunca aprendemos com os exemplos que vêm de cima. Até uma interpretação religiosa dá para fazer, vêem?

07/11/2011

A fonte da Ivian*

Acho que nunca vi um concurso de misses. Ou talvez esteja a mentir. De certeza que, quando era pequena e só tinha 2 canais, me impingiram um ou outro concurso destes (naquela altura em que as candidatas portuguesas eram sempre, estranhamente, feias). Mas os resultados dos concursos são sempre motivo de notícia, por isso fico sempre a saber qual é a nacionalidade da Miss das misses.
Seja por ouvir o nome da Venezuela tantas vezes, ou por já ter visto um outro episódio de novelas venezuelanas, sempre associei este país a uma fonte inesgotável de mulheres bonitas. É um facto que elas se arranjam muito (ainda bem para elas, que conhecem base à prova de derretimento por calor em excesso), mas também é um facto que são lindas para caraças. E isso não implica que sejam idiotas.
Conheço uma venezuelana que é das pessoas mais impressionantes que eu conheço, além de ser linda. Muito discreta, ao contrário do que as suas conterrâneas nos fazem crer, a sua herança genética venezuelana e colombiana é inegável. De tal forma que a mulher tem quase 40 anos e parece ter 18 (sem exagero). Mas não é dela que eu quero falar, apesar das histórias dela darem pano para manga, sobretudo, as histórias de quando a mãe, aproveitando o seu estatuto de mulherão colombiano, decidiu fazer uns trocos através da charlatanice do sobrenatural.
Quero falar do facto da Ivian ser uma mulher formada na área de Recursos Humanos, aparentemente com uma carreira, que, simplesmente, decidiu usufruir do aspecto para viajar pelo mundo, ou (ok) para fazer caridade pelo mundo a fora.
Juro que não compreendo porque é que as feministas se irritam tanto com isto. É que, a sério, já parecem comentários de gente ressabiada.
Não existe pessoa, no meu grupo de amigos, mais chatinha com a léria dos direitos das mulheres. É igualdade para aqui. Equidade para ali. Já na escola, não havia tema de trabalho que não fosse dar à minha propaganda: "As mulheres são boas para caraças e vão dominar o mundo". Mas estas mariquices incomodam-me.
Não percebo como é que o facto de uma mulher decidir usar a sua beleza, pode diminuir de alguma forma a sua imagem. Bem, há usos e usos, mas cada um sabe de si e que imagem quer dar ao mundo.
Aborrecem-me muito os preconceitos de que as mulheres bonitas não podem ser inteligentes e que só podem ter sucesso se usarem o corpo. Bem como me aborrecem os preconceitos de que uma mulher bonita, para ser bem-sucedida, intelectualmente, tenha de "camuflar" o seu aspecto para poder ser aceite em determinados círculos.
E isto, meus amigos, não são preconceitos lançados pelos homens, porque eles querem é ver mulheres bonitas, sejam elas inteligentes ou não (lamento o preconceito machista da minha parte). Estes preconceitos são da autoria de mulheres. Mulheres feministas. A National Geographic, volta e meia, faz documentários sobre os bichos mais venenosos do mundo. Ainda estou à espera de ver um documentário sobre as mulheres.
Feito o reconhecimento da espécie, resta-me declarar que não acho mal nenhum que uma mulher faça uso da sua imagem, para atingir determinado fim. Claro que esta afirmação pode ser muito controversa. Mas não me venham para aqui falar em moral e bons costumes, em direitos de igualdade, em objectos, ou burrice. Trata-se de usar, com inteligência, todos os recursos disponíveis. Nada mais do que isso. Qual é o problema?

* para quem não percebu a piadinha, é um trocadilho com a famosa e cara água Evian.

04/11/2011

São sinais do Natal...

Fico muito feliz que a Popota tenha conseguido resistir à crise e manter o seu trabalho, mas o que terá acontecido à loura escanzelada?

03/11/2011

Wake-up call

Quando as miúdas, que trabalham nas lojas, te começam a tratar por senhora, não é por educação (sabem lá elas o que é isso). É porque pareces, de facto, uma senhora, seja no estilo, ou nas rugas que já não enganam.

26/10/2011

Dedico esta aos nossos políticos

We're all made out of ticky tacky



Little boxes on the hillside,
Little boxes made of ticky tacky
Little boxes on the hillside,
Little boxes all the same,
There's a green one and a pink one
And a blue one and a yellow one
And they're all made out of ticky tacky
And they all look just the same.

And the people in the houses
All went to the university
Where they were put in boxes
And they came out all the same
And there's doctors and lawyers
And business executives
And they're all made out of ticky tacky
And they all look just the same.

And they all play on the golf course
And drink their martinis dry
And they all have pretty children
And the children go to school,
And the children go to summer camp
And then to the university
Where they are put in boxes
And they come out all the same.

And the boys go into business
And marry and raise a family
In boxes made of ticky tacky
And they all look just the same,
There's a green one and a pink one
And a blue one and a yellow one
And they're all made out of ticky tacky
And they all look just the same.

É incrível como coisas escritas há cinquenta anos ainda permanecem tão actuais. Faz-nos pensar um pouco sobre o verdadeiro sentido de progresso e desenvolvimento.
Só que agora querem acabar com a classe média. O que acontecerá aos ticky tackies deste mundo?

24/10/2011

2 anos

Demorei apenas dois anos para me esquecer da data do meu casamento. Ele não leva a mal, sabe bem que sou um túnel de vento.

12/10/2011

Não sei se rio, ou se choro

Ó vida cruel!
Às vezes, acho que alguém, ou algo, se diverte às minhas custas. Deve pensar: "Ora deixa cá ver o que ela não quer mesmo..." E zás! Eu que me amanhe.

10/10/2011

Sempre e Nunca

Acabo de perceber que o sempre e o nunca são a mesmíssima coisa.
Prometer que sempre nos vamos amar, ou que sempre seremos amigos, é a mesma coisa que prometer que nunca nos vamos esquecer.
Tudo promessas ocas.

Vamos lá ressuscitar esta bodega!

13/09/2011

Serve a presente insónia para informar que...

O blogue está morto.
The blog is dead.
Le blog est mort. Vive le blog! (última piadinha)

06/09/2011

Partilho

Carvalho da Silva considera as declarações de Passos Coelho "uma provocação", apelando à participação nas manifestações do próximo dia 1 de Outubro e considerando que é nesta e noutras mobilizações que se vão encontrar "políticas alternativas" (ver vídeo aqui). Os trabalhadores da TNC continuam mobilizados, exigindo justiça e a lutar pelos salários e pelo futuro da empresa. Os trabalhadores dos estaleiros de Viana do Castelo não desarmam e vieram recentemente a Lisboa para denunciar o desmatelamento da empresa e defender os postos de trabalho. Enfermeiros em Lisboa denunciam despedimentos por e-mail, enquanto em Trás-os-Montes lutam contra a precariedade. Os professores vão voltar às ruas: já no próximo dia 10, a indignação contra "o maior despedimento da história do ensino" marca encontro no Rossio; e no dia 16, a Fenprof convocou jornadas de protesto e luta para todas as capitais de distrito. Entre 21 e 28 de Setembro vai ter lugar a "semana de indignação dos polícias". A 15 de Outubro, Lisboa vai responder ao apelo dos indignados de Madrid, num protesto que poderá juntar quem exige outra democracia e, sobretudo, outro futuro e outra vida.

01/09/2011

Into the wild (9)

Ainda o Vale dos Pirilampos... Escusado será dizer que gosto de lá estar.

29/08/2011

Aviso para quem visitar a minha casa (estou a pensar seriamente em colocar isto à porta de casa)

1. Seja muito bem-vindo!!

2. Lembre-se de que as minhas cadelas vivem aqui. Você não.

3. Se você não quer pêlos de cão nas suas roupas, fique longe dos móveis e vista uma capa protectora.

4. Sim, os cães têm hábitos desagradáveis. Eu também, assim como você. E daí?!

5. Claro que elas cheiram a cão. Já percebeu como nós, humanos, cheiramos ao final de um dia de trabalho? Coloque-se no lugar de alguém que tem um olfato 2.000 vezes mais sensível que o seu e que mesmo assim sempre o receberá com explosões de carinho no retorno ao lar, mesmo que cheire mal.

6. É da natureza delas tentar cheirá-lo. Por favor, sinta-se à vontade para as cheirar também.

7. Se existisse algum risco das minhas cadelas o morderem, eu não as deixaria aproximarem-se de si. Porém, não posso impedi-las de responder a agressões, as quais podem ocorrer até em pensamento, seja para com elas, seja para comigo a quem devota fidelidade. Os cães percebem, tenha certeza.

8. Você já tentou beijar alguém e recebeu em troca um empurrão? Se um cão tentar lambê-lo é porque aprova a sua presença e quer-lhe demonstrar isso carinhosamente; e lembre-se que os cães não mentem ou fingem.

9. As minhas cadelas recebem os devidos cuidados veterinários, alimentação sadia e cuidados higiênicos. São mais vacinadas e desparasitadas do que a maioria dos humanos. Sua companhia é altamente recomendada pelos médicos, como fonte inesgotável de carinho, estímulo e anti-stress. Lembre-se que a maioria das doenças que contraímos ao longo da vida com certeza são-nos transmitidas por outros humanos.

10. Há diversas situações nas quais os cães são preferíveis a pessoas. Afinal de contas, sempre podemos confiar inteiramente na sua fidelidade e sinceridade. Como disse o Cat Stevens: "I love my dog as much as I love you, but your love may fail, his love will always come true".

11. Para alguns elas são simples cadelas. Para mim são as filhotas que andam de 4 e não falam tão claramente mas se expressam muito bem, e conseguem amar de forma incondicional e sem cobrar absolutamente nada em troca. Eu não tenho problema com nenhum desses pontos. E você?

12. Volte sempre que quiser, pois será bem-vindo! Até pelas minhas cadelas. Elas são mais sensíveis que nós, bastando se aproximar para distinguir com clareza verdadeiros amigos de pessoas falsas.
 
Roubado daqui.

18/08/2011

Tentei matar o blogue, mas não consegui

Infelizmente, o meu desaparecimento não se deve a férias. Aqui, no Inverno na zona centro, o povo continua trabalhador, ao contrário do que um certo director de um certo jornal local quis fazer crer num edital recente. Mas os suicídios de carreira são tema para outra conversa. Aqui fala-se de assassínio blogosférico.
Sabem, os caros leitores, se existe alguma crise dos 30? Se não, acabei de inventar uma. Ando numa crise existencial de tal maneira problemática que sou capaz de questionar o objectivo da existência de um tampão.
Agora a sério. Sempre fui assim, volta e meia tenho vontade de mudar. Desta vez, a vontade é maior do que nunca, acentuada por diversos factores externos. Preciso, quero e vou mudar. É natural que nesta transição fique algo de mim para trás. Num primeiro momento, pensei que o blogue seria o primeiro sacrificado, mas acabei por descobrir que, às vezes, tenho mais vontade de partilhar os meus devaneios com desconhecidos do que fumar um cigarro. E antes escrever do que fumar!
É possível que no decurso desta minha transformação em sei lá o quê, não consiga manter uma actividade blogosférica regular. De qualquer forma, está decidido: não vou matar o blogue.

Into the wild (6)

Vale dos Pirilampos

10/08/2011

Into the wild (4)

Algures a caminho do Vale dos Pirilampos.

Frases marcantes (3)



Vem esta frase mesmo a propósito do meu desamor por este mês que corre. Não tenho nada contra turistas. Acho óptimo que venham estimular a economia e que ofereçam novos horizontes (femininos e masculinos) aos nativos. Também não tenho nada contra os desgraçados que trabalham o ano inteiro nas limpezas ou nas obras (ok, agora estou a ser mazinha) e depois alugam carros melhores do que os patrões, para virem exibir o bom nível de vida que têm. Claro que têm o direito de vir matar saudades dos familiares e de gastar aqui o dinheiro que pouparam o ano inteiro, para doar à santinha da terra.
A bem dizer, a culpa é toda minha que ao fim de quase 31 anos, ainda não aprendi a fazer reservas na despensa para não ter de ir às compras em Agosto. Assim não me irritava com as pessoas que cochicham em Português e berram em Francês (ou num dialecto estranho semelhante). Não me irritava com as prateleiras sempre vazias. E não me irritava com as filas intermináveis, cheias de pessoas que parecem a todo o custo querer descortinar o perfume que estou a usar, ou, como eu costumo dizer, devem querer oferecer-se para pagar a minha conta. Haja paciência!

09/08/2011

Não abandone (3)

 Fiquei contente ao ver que os meus cliques naquele site da Coisas reverteram, de facto, em ajuda aos animais. Penso que muitas vezes as pessoas hesitam em ajudar, porque temem que a ajuda se perca em bolsos alheios. Ainda assim há sempre forma de ajudar, a melhor de todas é não abandonar.

Into the wild (3)

Ainda o Vale da Felícia e com estas minhas fotinhas tenho empatado os meus caríssimos leitores. :)

05/08/2011

As minhas flores


Não sou pessoa que se perca de amores por flores, naqueles raminhos cheios de papel celofane e laçarotes elaborados. Nem tão pouco gosto daquelas flores exóticas (já que insistem em chamar-lhes isso), que mais parecem ter uma boca pronta para nos dar uma mordidela, ou de couves e ananases em ponto pequeno. Não é por serem pequenas que se tornam românticas, temos pena. Uma couve é sempre uma couve.
Tenho uma relação de amor-ódio com as rosas. Cheiram bem, são bonitinhas, apesar de teimarem em vendê-las em botão fechado. São um lugar-comum, uma máscara, uma banalidade. A tirada "rosas para uma rosa" dá direito a um chuto no cu, sem mais nem menos. As rosas são o dia dos namorados, que festeja o amor uma única vez por ano. São o amor que encanta e deslumbra, para mais tarde nos espetar um pico, ou revelar uma abelha no seio do seu doce pólen, pronta para nos ferrar o nariz.
Os meus gostos são tão simples, que até chateiam. Nada de sofisticação, nem elegância. São as flores do campo que mais me agradam. Prefiro mil vezes receber uma papoila, colhida à beira da estrada, uma margarida, ou um malmequer, roubado de um jardim rural, ou uma florzita qualquer, cuja semente foi depositada pelo vento no meio de um relvado municipal, mais ou menos cuidado.
E das flores do campo, o rei é o girassol. "Que raio de gosto!", pensam vocês. Sempre gostei de girassóis. São grandes, alegres! São o sol, a vida. São o verão. São o calor. São as paixões fugazes. Houve já quem me chamasse Girassol, sem saber que se tratava da minha flor favorita. Talvez a minha presença lhe irradiasse luz e alegria, como o girassol (cof cof). Ou talvez tenha levado uma ferroada no nariz.
Não dá para explicar este meu gosto. Vai daí, o amor não se explica, sente-se. Este está-me no sangue, ou não fosse eu uma margarida, por herança da minha avó paterna. Adoro os campos verdejantes, pespontados por estes focos de cor. Adoro que cresçam, teimosamente, onde não devem. Adoro que voltem todos os anos, como quem diz que a persistência é sempre recompensada. Adoro o cheiro que exalam, ainda que isso signifique, volta e meia, uma fuga inesperada a uma abelha. Adoro adorá-las e adoro recebê-las, ao natural, claro está.

03/08/2011

Scarlett O'Hara style

Como podem ver, tenho uma princesa cheia de estilo. Sim, princesa. A Matilde foi despromovida quando a apanhei em pleno salto voador, o que denunciou de imediato a sua manha.
Pela graça dos deuses caninos, já recuperou o apetite voraz e genica não lhe falta, já que apenas admite pôr o funil para a sessão fotográfica (há que mimar os fãs).

01/08/2011

Em dias de neura...



Dá-me para fazer docinhos. Dizem as cobaias que eram de comer e chorar por mais. Não me perguntem como consegui esta proeza. Sou, sempre fui e sempre serei nula no que diz respeito ao fogão, tachos e panelas. Normalmente, as coisas que ficam com bom aspecto são intragáveis. As que ficam com um aspecto desgraçado, que nem pagando as pessoas as comem, até ficam bem apetitosas. Como consegui fazer estes cupcakes, com bom aspecto e deliciosos, não sei, mas confesso que são o doce mais fácil que alguma vez fiz e até se torna divertido fazê-los e enfeitá-los. Ou, então, isso foi só o efeito da neura. Seja como for, o melhor é registar o momento para a posterioridade.

Nota: A querida mãezinha não acreditou que fui eu que os fiz... snif snif

29/07/2011

Novidades do reino canino


Olá, fieis leitores da desnaturada da minha súbdita.
Por aqui vai-se andando como a lesma, já que tenho os movimentos condicionados pelas dores da cirurgia. Ainda estou um pouco endrominada pelas drogas e a minha súbdita desconfia que também estou a fazer um pouco de manha, já que consegui tirar o colar durante a noite.
Como forma de castigo, resolvi ignorá-la. Não lhe posso dar muita confiança após aquela ameaça de abandono. Não percebo por que raio me deixou com as batas brancas, para me ir buscar ao final do dia. Será que roí algo que não devia? Seja como for, fiquei muito amuada com o castigo. Ainda por cima, vim com uma marca na barriga que me dói e as minha patas de trás também não estão muito boas. Já para não falar na depilação, que parece ter sido feita com um corta-relvas!
Agora anda aqui de volta de mim, feita uma barata tonta. Pensa que a promoção de princesa a rainha me fará mudar de ideias. Bem, confesso que quando ela me trouxe um bocadinho daquela chicha, que o meu dono come no pão, eu cedi. Mas foi uma vez sem exemplo! Até porque a carne devia estar estragada. Primeiro, sabia muito bem, mas depois senti uma coisa amarga lá dentro. Não gostei nada. Vou aproveitar para fazer dieta. Não posso engordar. A bata branca diz que os meus 34 quilos são perfeitos, mas que sou muito gordinha por dentro. Devia estar a querer dizer que tenho celulite, a gaja!
Bem, pessoal, vou dormir uma sesta. Está muito calor e eu sinto-me muito cansada. Depois dou notícias, se me apetecer. Ainda tenho de descobrir o que fizeram ao meu namorado. Será que o levaram para casa dos meus avós? Infiéis! Traidores! Quando é para guardar a casa, deixam-no cá. Agora, que precisava tanto que ele me lambesse a barriga, para aliviar a comichão, levam-no de férias! Estes humanos andam muito mal ensinados. Assim que ficar melhor, trato disso.

A vossa rainha (se forem da zona centro), Matilde.

28/07/2011

Ai o meu coração...

O meu coraçãozinho está feito num nó de tanta preocupação. A Matilde está, neste momento, na mesa de cirurgia, quase, quase a terminar. E por muito que me digam que está a correr tudo bem, de todas as vezes que telefono para lá, não consigo tranquilizar-me.
Não consigo mentalizar-me de que não lhe estamos a fazer uma maldade ao castrá-la. O mais fácil seria deixar a Natureza seguir o seu curso, ainda que isso implicasse ter de arranjar lares responsáveis para dezenas de patudinhos fofos que, provavelmente, acabariam por ficar cá por casa e instalar o caos de vez.
Por outro lado, deixar a Natureza seguir o seu curso, significa muito sofrimento para ela, na recta final da sua vida, doenças horríveis e dolorosas, como aconteceu com a Geisha.
Espero que o recobro da cirurgia seja um mal menor. Agora só consigo pensar na hora de a ir buscar, dar-lhe muitos miminhos e pedir perdão por a ter deixado com aquelas mazonas de bata branca.
Para quem não conhece, esta é a pestinha, a Matilde, Matiude, Matiudosca, Tiudosca, Dosca, Dosquitéia, Dosquinha, Dosquita, Patolina, Patiudinha e Pata Patiude.

Não abandone (2)

Frases marcantes (2)

27/07/2011

Não abandone (1)


Os que costumam ler este blogue já sabem que tenho um grande fascínio pelos animais, sobretudo pelos cães. Já escrevi aqui diversas vezes o quanto é gratificante sentir o amor, o carinho e a dedicação de um animal. Eles dão-nos tudo e nós apenas lhes damos o que conseguimos encaixar nesta vida atarefada. Também já escrevi aqui que gosto mais dos meus cães do que de muitas pessoas, e nem sequer estou a falar da classe política!
Por isso, é sempre com grande espanto que vejo criaturas lindas e meigas abandonadas, por vezes, com requintes de crueldade. Acredito que as pessoas capazes de magoar um animal, ou descartá-lo como lixo, não hesitarão em fazer o mesmo a uma pessoa. Não podemos permitir que milhares de animais sejam sacrificados todos os anos por puro egoísmo e estupidez. Cabe-nos a todos educar crianças e adultos e desenvolver o respeito por todas as espécies.
Assim, e já que é no Verão que os “melhores amigos” se tornam mais dispensáveis, vou aproveitar para divulgar os cartazes da União Zoófila. Todos os animais dos cartazes estão para adopção e podem encontrar muitos mais, infelizmente, no site deles.

26/07/2011

Frases marcantes (1)

Autor: desconhecido. Rapinado de: Google + (quem disse que aquilo não servia para nada ?).

22/07/2011

A praia da minha vida

Fiz-me convidada ao desafio do Carlos, para escrever qualquer coisa sobre a praia da minha vida. A bem dizer, não existe uma praia da minha vida, existem várias. É o que dá viver nesta costa maravilhosa. Assim, podia escrever sobre a praia a que os meus pais me levavam, quando era pequena, de denso areal e mar desenvolto, a Praia Velha. Sobre a praia em que aprendi a nadar, a mais longínqua Foz do Arelho. Sobre a praia em que a Tucha ficava a ladrar ininterruptamente, enquanto eu estava dentro de água (que a sorte a livrasse de molhar as patas!), as Paredes. Sobre a praia que deixei de frequentar durante o dia depois de uma onda me ter libertado da parte de cima do biquíni. Praia essa, também, na qual estive mais vezes à noite do que de dia. Não se ponham com ideias, os bares são mesmo ali. Nada mais natural do que umas cervejas a mais fazerem-nos querer molhar os pés, ou mostrar aos amigos como se faz o pino maluco do Ioga. Estou a falar de S. Pedro de Moel, claro. Já agora, aproveito para pedir às pessoas para deixarem de escrever "Muel", por favor. Também podia escrever sobre a praia dos namorados surfistas, a Nazaré, “Ah mooor, tás por cã?” (giros, giros, giros, giros, giros…). Sobre a praia do topless, a Concha, que desapareceu este ano. Também pode ser a praia da sauna, porque não sopra lá uma brisa sequer. Sobre a praia dos banhos pós-expediente, que tem o mar mais apetecível da zona (quase nos esquecemos de que a temperatura da água gela os ossos), a Polvoeira. Ou sobre a praia onde os cães gostam de passear e arreliar os pescadores e onde trios gay se divertem, escondidos nas dunas imensas, as Pedras Negras.
Se de todas estas praias, tivesse de escolher uma para definir como praia da minha vida, seria muito difícil. De uma maneira, ou de outra, todas elas me marcaram. Ainda assim, há uma mais especial. Talvez por ter sido a primeira praia onde fui. Talvez por ter sido ali que vi o mar, pela primeira vez, o que poderá explicar o meu fascínio por ele, medo e respeito. Talvez seja pelos bons momentos que passei ali, pelas amizades que fiz, pelas conchinhas que apanhei, pelos bichinhos estranhos que vi (juro que uma vez vi lá uma coisa igual a um escorpião, só que era da cor da areia). Mas, apesar de todas estas coisas boas, o que mais me marcou foi o impacto visual.
Chegar à Praia Velha na década de 80, era a mesma coisa que entrar numa favela à beira mar. Fazer aquele caminho ziguezagueado, por entre árvores gigantes e bermas pejadas de pessoas com os seus farnéis de domingo, que deitavam o lixo para o chão e lavavam a louça na ribeira. Chegar à praia, onde se avistavam, de um lado, construções precárias amontoadas, naquilo que viria a descobrir mais tarde serem dunas. Do outro lado, acampamentos grotescos de pessoas que achavam que toda a gente deveria ter direito a um bocado de praia para si.
Hoje, quando penso nisso e passo naqueles sítios, não consigo perceber como aquele espaço conseguia albergar tanta gente. Na altura, lembro-me de sentir alguma estranheza naquilo tudo, talvez por ouvir o meu pai resmungar sempre que passava ali “Estragam tudo! Estragam tudo!”. Ao mesmo tempo sentia algum fascínio. Mal ou bem, aquela gente vivia na praia. Isso era invejável. Claro que este encantamento também se devia ao facto de achar aquela viagem até à praia, no Datsun 100 A do meu velho, com estofos em qualquer coisa a imitar pele, que aquecia com o sol e queimava a pele, uma verdadeira tortura, apesar de se fazer nuns meros 10 ou 15 minutos. Ou seja, o deslumbre da chegada à praia triplicava perante a ansiedade.
Um dia, alguém decidiu que aquilo não podia ser assim. Mandaram demolir as casas e retirar os acampamentos. Durante muito tempo, deixámos de frequentar essa praia. Além do reboliço divertido e poluidor ter desaparecido, a imagem daquela praia gigante e movimentada era triste e desoladora. Além de ser perigoso frequentá-la com todos os destroços deixados para trás e revelados os níveis de poluição da ribeira, que desagua na praia.
Anos passaram, até ter voltado a sentir o chamamento da Praia Velha. Não será uma praia boa, para gosta de estar de papo para o ar. É muito ventosa e é impossível tomar banho naquele mar. Mas é certo que naquele sítio não encontrarão um amontoado de gente e se passarem lá em Setembro já deverá estar deserta, como eu gosto.
Gosto de chegar lá e ver a imensidão da areia, as dunas que recuperaram a forma, a flora que avançou, como que lutando com o mar pela conquista da praia. Batalha impossível de travar, já que o mar todos os anos ganha terreno.
Gosto de sentir o vento na cara, com aqueles pingos de maresia pronunciados, como um aviso do mar “Não te aproximes muito!”, mas como eu sou desafiadora, aproximo. Adoro ver a rebentação selvagem das ondas, naquela praia. Faz sentir-me pequena. Talvez seja porque me deixo ficar imóvel, enquanto as ondas vão e vêm, arrastando a areia debaixo dos meus pés, afundando-me cada vez mais nos seus domínios, como se dissessem: “Agora, és nossa.” Adoro sentir a areia nos meus pés, faz-me cócegas. Em dias mais sensíveis, faço figuras idiotas. Noutros, deixo a areia desempenhar o seu papel, nesta comunhão com a natureza.
Adoro a paz que esta praia me traz. Às vezes, parece querer dizer-nos que nunca se deixará conquistar pelo Homem. É uma praia onde posso esquecer tudo e render-me aos mais puros instintos. Abrir os braços, sentir o vento, respirar profundamente, sentir o calor da areia, ou o gelo da água, e ser, simplesmente, mais um pequeno grão de areia no meio da vastidão que nos envolve.



Todas as fotografias são da Praia Velha, anteriormente publicadas neste post.