20/11/2009

Uma aventura no México

Dez horas tortuosas para lá, nove horas e meia, ainda mais tortuosas para cá, mas mesmo assim valeu a pena, apesar de todo o meu cepticismo em relação a este tipo de viagens.





O primeiro dia resumiu-se a viagens e mais viagens. Fica o registo fotográfico da rota através do atlântico. Acho que me fartei da cor azul... Vêem-se os Açores, as Bahamas, Cuba e finalmente México.
Após dez horas de viagem de avião, chegámos a Cancun, o ar era tão quente que mal conseguiamos respirar. Graças ao, sempre ligado e exagerado, ar condicionado lá aguentámos mais 3 horas de viagem até Riviera Maya.



O cansaço era indescritível. Banhinho, papinha, uma voltinha pela praia e caminha.






A bela da praia, em época de chuvas. O relax... Mas, sobretudo, os daiquiris. Aaahhh... os belos daquiris!...




Na segunda noite optámos por conhecer a Playa del Carmen e ainda bem que o fizémos à noite. As cores, o calor, o ambiente são fantásticos e recomendáveis. Ainda que seja tudo bastante americanizado e orientado para o turista, sempre dá para cheirar mais qualquer coisinha da cultura mexicana, o que no complexo turístico é impossível.
Foi uma excelente oportunidade para experimentar a verdadeira gastronomia mexicana, muito diferente do que se comia no próprio restaurante mexicano do hotel. Sempre ouvi dizer que a curiosidade matou o gato. Não sou gata, deve ser por isso que não morri.
Mais uma vez cedi à curiosidade e tive de experimentar todos os molhos. E mesmo já tendo tido uma experiência negativa com um molho verde, numa outra ocasião, num restaurante japonês em Portugal, decidi ir em frente. MUITO CUIDADO com os molhos verdes! Nos hotéis são todos comestíveis, na rua são o verdadeiro sopro do inferno. Não vejo outra forma de o descrever.
"Recuerdos" nos sacos e estômago recomposto da aventura mexicana, voltamos ao hotel. Falta dizer que não pude apreciar muito as paisagens. Sou uma triste, é verdade. Ainda hoje não sei se era pelo facto de não haver curvas, logo nada me abanava, se era pela comida, ou se era pelo cansaço. O facto é que sempre que me sentava, adormecia. E não, não estou grávida.




Paseo Coral. O drama, o medo, o horror!... Aquilo que uma pessoa faz por amor!! Pois é. Tenho algumas fobias, uma delas é nadar sem pé. Sei lá porquê. Posso estar a nadar muito bem, se de repente alguém me diz que já não tenho pé, começo a afogar-me. Deve ser um curto circuito no cérebro. E depois, claro está, não há barbatanas e coletes que façam a fobia retrair-se. Então, podem imaginar que fazer snorkeling em alto mar, numa zona com uma profundidade de 4 metros, foi algo problemático para mim. Na primeira parte do mergulho, na zona mais profunda, estava mais preocupada com a minha sobrevivência. Não liguei muito aos corais, que pareciam um pouco esponjosos (mais uma fobia estúpida) portanto mantive-me afastada ao máximo. O instrutor já me tinha topado. Deve ter-se apercebido da minha reacção aterrorizada ao sair do barco, fui a última a sair. Não sei como não fiz chichi... Estávamos a regressar ao barco, da primeira volta, quando o simpático e giro instrutor Eduardo me veio pôr uma estrela do mar na mão. Aquilo ajudou-me bastante. Infelizmente, não há fotografias. O meu amantíssimo devia estar de volta das sereias espanholas, enquanto o simpático e giro Eduardo despertava do meu subconsciente a adolescente com queda para surfistas.
A segunda volta, a menos profundidade, ainda sem pé, e muito mais perto dos corais, correu muito melhor. Foi mais cansativo, tivemos de nadar contra a corrente. Houve espanholas e inglesas a precisar de ajuda. Por isso senti-me feliz, mesmo com todas as minhas fobias, e acabou tudo bem.
Quanto às cores, os corais reagem à luz, e o mar estava muito agitado, logo além da visibilidade não ser muito boa, os corais também não apanhavam luz. Os peixinhos também pareciam andar escondidos.
À tarde, relax e soneca na praia. Foi muito drama para um dia...




Cansaço. Muito cansaço. Chillout...




Dia de Rio Secreto. Gostei muito da excursão. Não pelo que vimos em si, mas muito pelo papel da guia, a Mariana, que tornou aquela viagem a uma gruta, como tantas outras que temos em Portugal, numa viagem de instrospecção.
Para os Mayas, os "cenotes" eram sagrados. Eles acreditavam que os "cenotes" eram entradas para o submundo, uma das moradas dos deuses Mayas. Já agora, a cruz, antes dos cristãos, significava a divisão entre os três mundos Mayas, bem como os pontos cardeais.
Foi divertido. Por momentos senti que fazia parte do filme "A descida". Eheheh. Facto é que nadei sem pé e sem medo e muito perto de uns peixes cegos muito estranhos (mais uma coisa "à la descida")!
Ah! Descemos bastantes metros e continuava a fazer calor. Não temos disso por estas bandas.
O único aspecto negativo, foi não deixarem tirar fotografias. Tivemos de as comprar, a preço especial de turista, que equivale a uns tantos salários mínimos mexicanos. Resumindo e concluindo, por isso é que estas fotos estão tão boas...



Decidimos ir, outra vez, a Playa del Carmen. Mais umas "souvenirs", mais umas coisas para compensar as que ficaram em Portugal, e surpresa das surpresas, apanhámos o festival de Vida e Morte, uma tradição muito gira e maravilhosamente mexicana.

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