29/05/2009

Ora toma lá embrulha!

O Conselho Regulador da ERC deliberou "reprovar a actuação da TVI nas situações objecto de análise na presente deliberação, por desrespeito de normas ético-legais aplicáveis à actividade jornalística". Em causa estão sete peças de três edições do Jornal Nacional de sexta da TVI, que foram analisadas pelos serviços técnicos da ERC depois de terem sido apresentadas 13 queixas na ERC sobre essas edições do serviço noticioso. Todas as queixas têm como elemento comum o facto de acusarem a TVI de violar deveres ético-legais do jornalismo, designadamente de falta de rigor e de isenção, em peças jornalísticas que apresentam o Primeiro-Ministro ou outras pessoas ligadas ao Governo e ao PS como protagonistas.
Na deliberação, o Conselho Regulador considerou "verificada, à luz da análise efectuada, a possibilidade de a TVI ter posto em causa o respeito pela presunção de inocência dos visados nas notícias (tal como resulta do artigo 14.º, n.º 2, alínea c) do Estatuto do Jornalista)". Afirma ainda o Conselho que a TVI se afastou de alguns princípios expostos no seu Estatuto Editorial, a cujo cumprimento se encontra vinculada, e onde se compromete "a observar, nomeadamente, nos seus programas de Informação, regras estritas de honestidade, de isenção, de imparcialidade, de pluralismo, de objectividade e de rigor".
Assim, o Conselho Regulador da ERC decidiu "instar a TVI a cumprir de forma mais rigorosa o dever de rigor e isenção jornalísticas, aqui se incluindo, nomeadamente, o dever de demarcar "claramente os factos da opinião" (artigo 14.º, n.º 1, alínea a) do Estatuto do Jornalista)".
O Conselho Regulador não deixa de "reafirmar, sem prejuízo do antes exposto, o papel desempenhado pelos órgãos de informação nas sociedades democráticas e abertas como instâncias de escrutínio dos vários poderes, designadamente políticos, sociais e económicos".

Não digo que não seja de louvar a coragem da TVI, em denunciar as mais variadas situações de corrupção e afins que assolam o nosso país.
É de lastimar, no entanto, que sejam usadas como apelativo ao folclore, em que aquele jornal se tornou. É deplorável a forma como uma jornalista se acha na posição, toda divina, acima da lei, de tudo e de todos, e acusa e persegue os que põem em causa os seus princípios pessoais. Em vez de informar o povo português, emite juízos de valor. A isto, meus amigos, eu chamo e sempre chamarei propaganda, a bela "desinformação".
O único resultado desta exploração de notícias que, às vezes, mais parecem forjadas e encenadas de forma a encurralar determinada personalidade, é a desacreditação dos mesmos casos, perante o público, originando atitudes inversas ao pressuposto objectivo.
Em vez de se procurar justiça, tem-se criado uma onda de solidariedade em torno dos visados das ditas "info-acusações-noticiosas".
Nesta era da informação, seria de começar a pensar, seriamente, na manipulação das notícias e nas suas consequências.

26/05/2009

Agradecimento público

Dou como terminado este jejum "blogueiro" com um agradecimento especial ao presidente da autarquia da Marinha Grande, Alberto Cascalho, pela aquisição de 1000 bilhetes para uma Corrida de Touros, que decorreu no passado mês, no campo de futebol Sport Lisboa e Marinha, pela módica quantia de 30€ cada.
Isto revela, de facto, a sua preocupação em manter a política de contenção, iniciada pelo anterior presidente João Barros, que renunciou ao cargo.
É sempre bom saber que os funcionários de determinadas instituições culturais da Marinha Grande têm de levar papel higiénico de casa, para as casas de banho das ditas instituições, enquanto o nosso sapiente presidente desperdiça o bom dinheiro dos contribuintes, em espectáculos, que envergonham qualquer português, que se preze ao mínimo de decência e respeito por seres vivos.
Não seria de esperar que, nesta terra, alguém se manifestasse, num acto de inteligência, como aconteceu noutras autarquias, proibindo tais espectáculos, mas seria de esperar, uma atitude mais reflectida e, pelo menos, uma tomada de posição mais neutra, no que diz respeito a um assunto tão sensível.
Como disse a alguém, recentemente, é pena que a maturidade não se venda em pacotes, neste caso, terei de dizer o mesmo sobre a inteligência.

11/05/2009

Fantasminha brincalhão...

Politiquices à parte, como podemos votar em alguém, para o parlamento europeu, que parece o avô cantigas ?
Bem, talvez seja só impressão minha, mas cá para mim, este senhor de jardineiras passava bem por sósia do dito avôzinho.

Ode à chuva

Com tanta gente a rogar pragas à chuva, a desesperar para que vá embora, a ansiar pelos dias quentes e poeirentos, eu decidi fazer a minha homenagem à chuva.
Sempre gostei de chuva. Gosto do som da chuva, gosto dos cheiros que evoca, gosto da cor do céu quando chove. Não há coisa melhor do que estar aconchegada no colo de alguém, quentinha, enrolada em cobertores, à lareira, a beber de uma chávena fumegante, e a ouvir, lá fora, o seu canto - pingo aqui, pingo ali, pingo, pingo, pingo.
Nada melhor que um banho de chuva. Sentir o seu toque, purifica a alma. Limpa os desgostos, mistura-se com as lágrimas. Tudo limpa, tudo lava. Prepara o novo ser, renascido (consciente do pleonasmo), qual fénix erguida das próprias cinzas, para enfrentar as adversidades da vida. Um banho de chuva destila o pensamento e os sentimentos. Mundifica o nosso ser.

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme.Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...
in Cancioneiro, Fernando Pessoa
Agora, vou ali apanhar uma pneumonia. Volto já!