11/07/2009

FODA-SE!!

O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à
quantidade de "foda-se!" que ela diz.
Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?
O "foda-se!" aumenta a minha auto-estima, torna-me uma
pessoa melhor.
Reorganiza as coisas. Liberta-me.
"Não queres sair comigo?! - então, foda-se!"
"Vais querer mesmo decidir essa merda sozinho(a)?! - então,
foda-se!"
O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição.
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos
extremamente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário
de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos
mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo a fazer a sua
língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que
vingará plenamente um dia.
"Comó caralho", por exemplo. Que expressão traduz melhor a
ideia de muita quantidade que "comó caralho"?
"Comó caralho" tende para o infinito, é quase uma expressão
matemática.
A Via Láctea tem estrelas comó caralho!
O Sol está quente comó caralho!
O universo é antigo comó caralho!
Eu gosto do meu clube comó caralho!
O gajo é parvo comó caralho!
Entendes?
No género do "comó caralho", mas, no caso, expressando a
mais absoluta negação, está o famoso "nem que te fodas!".
Nem o "Não, não e não!" e tão pouco o nada eficaz e já sem
nenhuma credibilidade "Não, nem pensar!" o substituem.
O "nem que te fodas!" é irretorquível e liquida o assunto.
Liberta-te, com a consciência tranquila, para outras actividades
de maior interesse na tua vida.
Aquele filho pintelho de 17 anos atormenta-te ao pedir o carro
para ir surfar na praia? Não percas tempo nem paciência.
Solta logo um definitivo:
"Huguinho, presta atenção, filho querido, nem que te fodas!".
O impertinente aprende logo a lição e vai para o Centro
Comercial encontrar-se com os amigos, sem qualquer problema,
e tu fechas os olhos e voltas a curtir o CD (...)
Há outros palavrões igualmente clássicos.
Pensa na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou o seu
correlativo "Pu-ta-que-o-pa-riu!", falado assim, cadenciadamente,
sílaba por sílaba.
Diante de uma notícia irritante, qualquer "puta-que-o-pariu!", dito
assim, põe-te outra vez nos eixos.
Os teus neurónios têm o devido tempo e disposição para se
reorganizarem e encontrarem a atitude que te permitirá dar um
merecido troco ou livrares-te de maiores dores de cabeça.
E o que dizer do nosso famoso "vai levar no cu!"? E a sua
maravilhosa e reforçadora derivação "vai levar no olho do cu!"?
Já imaginaste o bem que alguém faz a si próprio e aos seus
quando, passado o limite do suportável, se dirige a um interlocutor canalha e solta:
"Chega! Vai levar no olho do cu!"?
Pronto, tu retomaste as rédeas da tua vida, a tua auto-estima.
Desabotoas a camisa e sais à rua, com o vento a bater na face, olhar
firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado
amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registar aqui a expressão de
maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu-se!". E a
sua derivação, mais avassaladora ainda: "Já se fodeu!".
Conheces definição mais exacta, pungente e arrasadora para
uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de
ameaçadora complicação?
Expressão, inclusivé, que uma vez proferida insere o seu autor
num providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo
assim como quando estás a sem documentos do carro, sem
carta de condução e ouves uma sirene de polícia atrás de ti a
mandar-te parar. O que dizes? "Já me fodi!"
Ou quando te apercebes que és de um país em que quase nada
funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a
saúde, a educação e … a justiça são de baixa qualidade, os
empresários são de pouca qualidade e procuram o lucro fácil e
em pouco tempo, as reformas têm que baixar, o tempo para a
desejada reforma tem que aumentar … tu pensas “Já me fodi!”
Então:
Liberdade,
Igualdade,
Fraternidade
e
foda-se!!!
Mas não desesperes:
Este país … ainda vai ser “um país do caralho!”
Atenta no que te digo!

Foda-se, Millôr Fernandes

07/07/2009

O "estádio" da crise

Respiro e expiro trabalho, mas preciso mesmo de escrever isto. Ontem, numa das minhas corridas à casa dos sogros, fui forçada a ver a bela entrada do "nosso" Ronaldinho no estádio "não-sei-das-quantas", em Madrid.
Não tenho tempo para opinar sobre o quanto considero imoral os rios de dinheiro que circulam no mundo do futebol. Não tenho tempo para opinar sobre as pessoas que morrerram de fome e sede durante aqueles minutos de euforia. Não tenho sequer tempo para opinar sobre o facto de pessoas serem vendidas e compradas em nome de uma camisola qualquer. O desporto é futebol, mas se fosse uma mulher em causa seria prostituição, e da cara!! Enfim, há tanta coisa má no mundo, esta é mais uma delas.
O que queria mesmo dizer é que os Xutos e Pontapés nunca foram ouvidos por tanta gente ao mesmo tempo. LOL
Ao ouvir aquela gente toda a cantar "à minha maneira" e a aplaudir o "portunhol" rasco do analfabeto mais bem pago do mundo, só me ocorreu o seguinte pensamento: "Os espanhóis davam o cú e sete tostões para serem portugueses". Tal não é o estado da crise...

06/07/2009

Caipi... caipi... caipi... "Caipiquê"?



Neste fim-de-semana, tal como havia prometido, matei as saudades de uma das minhas bebidas favoritas, a bela da capirinha. Devo dizer que foi uma das melhores que bebi, e o ambiente inesperadamente simpático, num barzinho de esquina, à beira-mar ajudou à festa.

Experimentei também uma outra maravilha. Ora eu que gosto de tudo o que leve bastante gelo, lima e açúcar louro, sejam elas caipirinhas, caipiroskas, caipiríssimas, "caipi-o-raio-que-as-parta", delirei com esta delícia...

Uma bela caipiroska preta. Deve ser das melhores coisas que bebi, mas, enfim, nada é perfeito. Como resultado da minha aventura "caipicada", o meu fígado anda a dar "caipi-sintomas".

No próximo fim-de-semana, volto a "caipicar", mas com mais moderação.

02/07/2009

As tempestades passam...
... mas a bonança não se avista.