26/10/2009

O beijo é uma forma de diálogo (George Sand)

Beijo

O beijo acalma, protege, adoça, excita. Os beijos, a par dos braços têm imensas propriedades terapêuticas. Nas relações de amizade e amor (fraternal, parental, conjugal) são agradáveis e muito desejáveis.

Muitos se lembrarão da primeira vez que beijaram socialmente – o beijo do cumprimento. Eu lembro-me de só saírem sopros nas primeiras tentativas que fiz para que repenicassem um pouco, até que depois de muito esforço, ele saiu bonito e sonoro, como os que eu ouvia aos adultos.

Mas decerto que aquele de que quase todos nos lembramos é o primeiro beijo apaixonado, em que não sabíamos bem o que fazer com a língua.

Sou uma beijoqueira assumida e adoro beijos e beijinhos dos que me são queridos – mais que adorar, preciso deles para o meu equilíbrio emocional. Recusarem-me um beijo é das coisas mais agressivas que me podem fazer.

Trocava todas as prendas por beijos e mimos.

Beijos e mais beijos.

19/10/2009

Balanço do fim-de-semana

Os anos passam, e eu, quase,quase nos trinta, ainda não aprendi certas coisas.
1º - Tenho mau feitio. Logo, tenho de ter cuidado quando faço planos que envolvam outras pessoas.
2º - As pessoas não levam a sério o meu mau feitio.
3ª - Apesar dos contantes avisos. Lá me obrigaram a andar de biberão-pila e chicote-pila. Pelo menos, livrei a cabeça de pilas, véus e corninhos.
4º - Comer com bolo na cara é coisa que me tira do sério, especialmente quando estou maquilhada e mo fazem duas vezes seguidas. A sério... não tem piada nenhuma. Da próxima vez, comem todas com o bolo.
5º - Não sabes beber, não bebes.
6º - Os biberões-pilas dão direito a bebidas gratuitas. O que anima o espírito e desanima a bilis.
7º - MUITO CUIDADO com as EX seminuas que trabalham em bares. O mais certo é encherem o biberão-pila de veneno.
8º - Quem não sabe beber, faz figuras tristes em cima de colunas, com pilas na mão.
9º - Quando se vê a dobrar, já é tarde de mais e indicador do que virá a seguir...
10º - Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga. Um dia inteiro a coca-cola e o sabor amargo da bilis na boca.
11º - Da próxima vez, vai para um spa.
12º - Um veneno cura o outro, por isso deixo aqui o meu agradecimento especial:

Ave, Coca-Cola, cheia de gás,
o bem-estar é convosco.
Bendita sois vós entre os ressacados,
e bendito é o fruto do vosso líquido, açúcar.
Santa Coca-Cola, Mãe dos embrigados,
rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa ressaca.
Amém.

16/10/2009

A ver...

... porque gosto de apoiar o cinema português, porque gosto da temática. Haverá prisão maior do que nascer no corpo errado?

13/10/2009

Como a ignorância pode destruir a carreira de alguém

Tentando abstrair-me de comentários menos próprios que possam afectar os desgraçados que cá moram, a verdade é que todos os povos têm as suas rivalidades e várias foram as vezes que generalizei a entidade nacional brasileira num todo estúpido e acéfalo. Por isso, não são as palavras que me incomodam, porque este exemplar apenas dá prova da burrice de que tanto falo com as minhas amigas. No entanto, a cena do cuspo incomodou-me e, não sei bem porquê, sinto-me um pouco ofendida com isso. Terá sido pura estupidez, ou uma tentativa de marketing falhada? A mulher lança um livro em Portugal, faz estas figuras e depois manda o vídeo para um programa? Curioso...

12/10/2009

Efeito Scolari

Ontem, andava a varrer o meu belo pátio, após ter vivenciado um momento verdadeiramente Feng Shui, a plantar florzinhas no meu jardim, quando ouço carros a apitar. Pensei automaticamente: "Portugal ganhou alguma coisa?" Depois vi as bandeiras e percebi...
Não que me tenha esquecido das eleições, fui votar, como é hábito, apenas não percebo o alarido. Após um esforço, lá atingi. Afinal alguns ganharam alguma coisa. Ganharam um belo tachinho durante 4 anos.
Durante o jantar, enquanto tive paciência para ver alguns discursos de vencedores, analisando aquelas caras felizes e pensativas que rodeavam os oradores, apenas consegui pensar que estavam a fazer contas aos tostões que iam ganhar. Que carros podiam comprar, onde iriam de férias? Decerto que aquelas expressões de felicidade não resultavam de pensamentos como: "Vou cumprir as promessas que fiz".
Foi então que tive uma ideia brilhante. Tendo em conta que a maioria dos políticos está reformada de um outro trabalho milionário, a política deveria ter como base o voluntariado. Assim, poderíamos pagar salários decentes, por exemplo, aos bombeiros que salvam vidas, e as pessoas que nos DESGOVERNAM poderiam fazê-lo simplesmente por amor à camisola.

07/10/2009

ELOGIO AO RABIOSQUE

Quero prestar a minha homenagem a todos aqueles que têm um rabiosque bem redondo e bem evidenciado, nem sempre pequeno para ser apelidado de «rabinho», mas pelo qual podem fazer algo, como por exemplo andar de bicicleta, para o definir bem. :)


A BUNDA QUE ENGRAÇADA

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
rebunda

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

06/10/2009

PEDRAS NO CAMINHO

Carlos Drummond de Andrade bem dizia que havia muitas pedras no caminho...Mas é por isso que inventaram a catrapila, para arredar até os obstáculos que são ou nos parecem mais pesados.

No meio do caminho tinha uma pedra

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade (1802-1987)