25/11/2009
Uma aventura do México - 2ª parte
Pensavam que tinha acabado? Há muito mais...
A bela localidade de Chichen Itza e os seus belos templos que afinal não são Mayas. Pois é, pessoal. Também pensavam que eram grandes cidades Mayas, também nós. Acontece que após ouvir várias estórias diferentes, dos vários guias, como se se tratasse de ficção produzida por Mel Gibson, ao invés da verdadeira História de um grande povo, chegámos à conclusão (com uma ajuda do canal história espanhol ou mexicano) que afinal aqueles templos são Toltecas.
Passo a explicar. Os Mayas foram um grande povo, construíram estradas, rotas comerciais (uma das poucas coisas de que os mexicanos se orgulham são os seus antepassados com jeito para o comércio) e construíram grandes observatórios.
Como nem tudo é perfeito, os Mayas começaram a sofrer na pele a devastação do seu progresso. A desflorestação (cortavam as árvores para produzir a cal/cimento com que faziam as suas construções) levou a grandes secas. A falta de bens essenciais levou a que tentassem controlar outra cidades, o que levou a guerras, o que levou a que desaparecessem. Não desapareceram devido a doenças misteriosas, simplesmente, fugiram, porque na altura não existia o conceito de prisioneiro de guerra. Existia, sim, o conceito de escravo ou inimigo com a cabeça cortada a quem comiam o coração para absorver a força desse grande guerreiro. Por isso, os mexicanos não admitem que digam que os Mayas eram canibais. Eles não comiam as pessoas porque tinham fome. Não, senhora! Comiam-nas para absorver a sua força. Ou seja, além de canibais, eram psicopatas.
Neste ambiente tumultuado chegaram os Aztecas, quais gafanhotos que esgotaram os seus recursos naturais, chegaram e estragaram. Começou o periodo Tolteca, ou a 2ª fase Maya. Estes, sim, construíam grandes templos, muitos deles por cima dos observatórios Mayas, como acontece com o templo principal de Chichen Itza. Tal como os seus antecessores, devastaram e arruinaram-se. Dizem eles que a construção de Chichen Itza foi o fim dos Mayas. Mayas, Toltecas, seja lá o que for, todos eles se puseram a andar para não perder, literalmente, a cabeça.
Outra coisa que faz as cores mexicanas vibrar é dizer aos espanhóis que eles são descendentes dos chineses. Nós por cá sabemos que foram os mongóis que partiram à decoberta e que por isso é que existem tribos da mesma raça na Europa de Leste, na Ásia, e na América, desde o Norte ao Sul.
Quanto à excursão em si, foi uma bela merda. Foi cara e foi demasiado curta. A guia não se deu a trabalho de explicar a história factual, limitou-se a dar a sua opinião, e também não se deu ao trabalho de nos levar a todos os locais, fazendo questão de dizer que certos locais estavam a x quilómetros de distância. Acontece que afinal não estavam.
Após duas horas a ouvir aquela lenga lenga meio mexicana, meio brasileira, ficámos com uma hora para tirar fotografias, ir aos sítios onde ela não nos levou e simplesmente absorver toda aquela grandiosidade que nos rodeava. Pois claro está que não tivemos tempo.
Corremos, corremos debaixo de um sol abrasador. Os efeitos da desflorestação Maya parece que ainda se fazem sentir, apesar da natureza ter invadido os seus templos há muito. Os templos são realmente maravilhosos, mas o que mais gostei foi Poço das Bruxas, um "cenote" gigantesco onde os Mayas faziam os seus sacrifícios e oferendas. Foi lá que um chico-esperto americano roubou descaradamente toda a herança Maya, artefactos, jóias, tudo o que encontrou. Estão todos algures, num museu americano.
Não pudemos subir as escadas dos templos. Estão todos fechados para investigação, preservação e porque um parvalhão americano subiu ao templo principal, embriagado, e caiu. Agora o governo mexicano tem um processo de indemnização às costas.
Quanto à teoria dos 365 degraus corresponderem aos dias do anos, por causa disto e daquilo... "bullshit"! Um historiador alemão que anda por lá, ao tentar espetar um pára-raios no chão descobriu mais duas plataformas abaixo no nível do chão. Logo, há mais degraus.
São capazes de me ver por aí em ponto gordo, aliás, ponto grande. O meu queridíssimo não estava satisfeito com a quantidade de monumentos nas fotos. Ehehehehh
Em Coba o guia foi bem melhor e pudemos perceber melhor o porquê das diferenças das construções. Estas construções são do primeiro periodo Maya, pré-Tolteca, o que se percebe bem devido à forma redonda dos observatórios. Coba foi um importante ponto de passagem das rotas comerciais, onde era cobrada uma portagem a quem passasse nas suas estradas. Mais uma vez não pudemos subir, dado o avançado estado de degradação e investigação das ruínas.
Gostei de ver a forma como a natureza envolveu todos os estes templos. O último até dá ares de Angkor Vat no Cambodja.
Se não tivesse sido pela tempestade que se fazia sentir, teria sido bem melhor. Assim tivemos de nos proteger com aqueles belos plásticos e recorrer ao que eles chamam de "limusina Maya". Tive pena dos muitos rapazes que as conduziam, que obviamente deveriam estar na escola e não ali.
Finda a visita à cidade Maya, levaram-nos para um parque com actividades que envolviam canoagem e deslizar em cabos a uns bons metros do chão. Para evitar o chichi nas cuecas, fiquei de fotógrafa de serviço. Depois pudemos nadar em mais um "cenote", em seguida fomos almoçar com os Mayas (ahahhah), dizem eles...
O que não gostei, tanto nesta, como na de Chichen Itza, foi fazerem-nos parar por tempo indeterminado em lojas, nas quais os guias terão certamente uma comisão a receber no total de compras efectuadas. Não gostei mesmo.
A tempestade culminou com uns relâmpagos à beira-mar, nada mais apropriado para a noite de Halloween.
Destaque para o jantar. Desde a sopa, ao grelhado, à sobremesa com o chocolate Maya, pura e simplesmente divinal.
(Nota: o Michael é que andava obcecado com a comida e a tirar fotos a tudo o que comia)
O último dia foi puro relax. Percebi finalmente porque dizem que a seguir à tempestade vem a bonança. Nunca tinha visto um mar assim. O tempo estava menos abafado, não havia vento e a água estava transparente. Havia mais peixinhos do que no coral que visitámos na primeira excursão. Se bem que ali também há corais. Comecei a simpatizar seriamente com peixinhos e fiquei tão maravilhada que fiz snorkeling, sem pé e sem colete. Venci o meu medo e estava tão destemida que o meu cérebro parou quando vi uma alforreca e só reagi quando ela me estava quase a tocar. Seguiu-se um momento de pânico, cãibra no pé, mas depressa voltei aos peixinhos. Passámos o dia molho! Porquê? Vejam as fotos.
À noite fomos ao restaurante mexicano, onde, inevitavelmente, nos embebedamos com uma tequila doce (aqueles mexicanos são uns malandros).
Como nada dura para sempre, havia malas para fazer...
Na manhã da partida ainda houve tempo para um mergulho, sol é que nem pensar! A aventura do dia anterior, aliada aos belos protectores biodegradáveis deu-nos cabo das costas. Só calor fazia arder...
Mesmo antes da partida a fauna local decidiu dar o ar da sua graça, em jeito de despedida. Uma delas parecia que queria vir para Portugal.
Seguiram-se horas e horas e horas intermináveis de tortura até chegar ao lar doce lar, mas valeu a pena.
Espero que gostem, recomendo a viagem e desculpem os erros.
20/11/2009
Uma aventura no México
Dez horas tortuosas para lá, nove horas e meia, ainda mais tortuosas para cá, mas mesmo assim valeu a pena, apesar de todo o meu cepticismo em relação a este tipo de viagens.
O primeiro dia resumiu-se a viagens e mais viagens. Fica o registo fotográfico da rota através do atlântico. Acho que me fartei da cor azul... Vêem-se os Açores, as Bahamas, Cuba e finalmente México.
A bela da praia, em época de chuvas. O relax... Mas, sobretudo, os daiquiris. Aaahhh... os belos daquiris!...
Na segunda noite optámos por conhecer a Playa del Carmen e ainda bem que o fizémos à noite. As cores, o calor, o ambiente são fantásticos e recomendáveis. Ainda que seja tudo bastante americanizado e orientado para o turista, sempre dá para cheirar mais qualquer coisinha da cultura mexicana, o que no complexo turístico é impossível.
O primeiro dia resumiu-se a viagens e mais viagens. Fica o registo fotográfico da rota através do atlântico. Acho que me fartei da cor azul... Vêem-se os Açores, as Bahamas, Cuba e finalmente México.
Após dez horas de viagem de avião, chegámos a Cancun, o ar era tão quente que mal conseguiamos respirar. Graças ao, sempre ligado e exagerado, ar condicionado lá aguentámos mais 3 horas de viagem até Riviera Maya.
O cansaço era indescritível. Banhinho, papinha, uma voltinha pela praia e caminha.
A bela da praia, em época de chuvas. O relax... Mas, sobretudo, os daiquiris. Aaahhh... os belos daquiris!...
Na segunda noite optámos por conhecer a Playa del Carmen e ainda bem que o fizémos à noite. As cores, o calor, o ambiente são fantásticos e recomendáveis. Ainda que seja tudo bastante americanizado e orientado para o turista, sempre dá para cheirar mais qualquer coisinha da cultura mexicana, o que no complexo turístico é impossível.
Foi uma excelente oportunidade para experimentar a verdadeira gastronomia mexicana, muito diferente do que se comia no próprio restaurante mexicano do hotel. Sempre ouvi dizer que a curiosidade matou o gato. Não sou gata, deve ser por isso que não morri.
Mais uma vez cedi à curiosidade e tive de experimentar todos os molhos. E mesmo já tendo tido uma experiência negativa com um molho verde, numa outra ocasião, num restaurante japonês em Portugal, decidi ir em frente. MUITO CUIDADO com os molhos verdes! Nos hotéis são todos comestíveis, na rua são o verdadeiro sopro do inferno. Não vejo outra forma de o descrever.
"Recuerdos" nos sacos e estômago recomposto da aventura mexicana, voltamos ao hotel. Falta dizer que não pude apreciar muito as paisagens. Sou uma triste, é verdade. Ainda hoje não sei se era pelo facto de não haver curvas, logo nada me abanava, se era pela comida, ou se era pelo cansaço. O facto é que sempre que me sentava, adormecia. E não, não estou grávida.
"Recuerdos" nos sacos e estômago recomposto da aventura mexicana, voltamos ao hotel. Falta dizer que não pude apreciar muito as paisagens. Sou uma triste, é verdade. Ainda hoje não sei se era pelo facto de não haver curvas, logo nada me abanava, se era pela comida, ou se era pelo cansaço. O facto é que sempre que me sentava, adormecia. E não, não estou grávida.
Paseo Coral. O drama, o medo, o horror!... Aquilo que uma pessoa faz por amor!! Pois é. Tenho algumas fobias, uma delas é nadar sem pé. Sei lá porquê. Posso estar a nadar muito bem, se de repente alguém me diz que já não tenho pé, começo a afogar-me. Deve ser um curto circuito no cérebro. E depois, claro está, não há barbatanas e coletes que façam a fobia retrair-se. Então, podem imaginar que fazer snorkeling em alto mar, numa zona com uma profundidade de 4 metros, foi algo problemático para mim. Na primeira parte do mergulho, na zona mais profunda, estava mais preocupada com a minha sobrevivência. Não liguei muito aos corais, que pareciam um pouco esponjosos (mais uma fobia estúpida) portanto mantive-me afastada ao máximo. O instrutor já me tinha topado. Deve ter-se apercebido da minha reacção aterrorizada ao sair do barco, fui a última a sair. Não sei como não fiz chichi... Estávamos a regressar ao barco, da primeira volta, quando o simpático e giro instrutor Eduardo me veio pôr uma estrela do mar na mão. Aquilo ajudou-me bastante. Infelizmente, não há fotografias. O meu amantíssimo devia estar de volta das sereias espanholas, enquanto o simpático e giro Eduardo despertava do meu subconsciente a adolescente com queda para surfistas.
A segunda volta, a menos profundidade, ainda sem pé, e muito mais perto dos corais, correu muito melhor. Foi mais cansativo, tivemos de nadar contra a corrente. Houve espanholas e inglesas a precisar de ajuda. Por isso senti-me feliz, mesmo com todas as minhas fobias, e acabou tudo bem.
Quanto às cores, os corais reagem à luz, e o mar estava muito agitado, logo além da visibilidade não ser muito boa, os corais também não apanhavam luz. Os peixinhos também pareciam andar escondidos.
À tarde, relax e soneca na praia. Foi muito drama para um dia...Cansaço. Muito cansaço. Chillout...
Dia de Rio Secreto. Gostei muito da excursão. Não pelo que vimos em si, mas muito pelo papel da guia, a Mariana, que tornou aquela viagem a uma gruta, como tantas outras que temos em Portugal, numa viagem de instrospecção.
Para os Mayas, os "cenotes" eram sagrados. Eles acreditavam que os "cenotes" eram entradas para o submundo, uma das moradas dos deuses Mayas. Já agora, a cruz, antes dos cristãos, significava a divisão entre os três mundos Mayas, bem como os pontos cardeais.
Foi divertido. Por momentos senti que fazia parte do filme "A descida". Eheheh. Facto é que nadei sem pé e sem medo e muito perto de uns peixes cegos muito estranhos (mais uma coisa "à la descida")!
Ah! Descemos bastantes metros e continuava a fazer calor. Não temos disso por estas bandas.
O único aspecto negativo, foi não deixarem tirar fotografias. Tivemos de as comprar, a preço especial de turista, que equivale a uns tantos salários mínimos mexicanos. Resumindo e concluindo, por isso é que estas fotos estão tão boas...
Decidimos ir, outra vez, a Playa del Carmen. Mais umas "souvenirs", mais umas coisas para compensar as que ficaram em Portugal, e surpresa das surpresas, apanhámos o festival de Vida e Morte, uma tradição muito gira e maravilhosamente mexicana.
16/11/2009
10/11/2009
Die Mauer ist weg
Fonte: http://www.graffiti.org/berlin/berlin_1.htmlEm homenagem à Liberdade, além de todos estes muros invisíveis que nos aprisionam. Que o espírito revolucionário nunca cesse em nós, até que todos os muros deixem, simplesmente, de o ser.
02/11/2009
De amigos a conhecidos
Na rede social de contactos temos grandes amigos, amigos, colegas e conhecidos. Estes grupos não são estanques e sofrem movimentos migratórios de progressão e regressão mediante as circunstâncias ocorridas.
As permissões e restrições que atribuímos implícita ou explicitamente a cada um dos grupos é de conhecimento geral, dado que comungamos de um mesmo código social de valores, que nos permite ser e estar em sociedade. Mas há sempre quem não as perceba ou se sinta acima delas e transgrida de forma voluntária o espaço que lhe cabe.
O saber estar em sociedade e a afeição e respeito que temos pelos nossos amigos exige de nós muitas vezes silêncios e sorrisos educados, quando o instinto nos mandava reagir batendo com a mão na mesa.
Um brinde aos amigos!
As permissões e restrições que atribuímos implícita ou explicitamente a cada um dos grupos é de conhecimento geral, dado que comungamos de um mesmo código social de valores, que nos permite ser e estar em sociedade. Mas há sempre quem não as perceba ou se sinta acima delas e transgrida de forma voluntária o espaço que lhe cabe.
O saber estar em sociedade e a afeição e respeito que temos pelos nossos amigos exige de nós muitas vezes silêncios e sorrisos educados, quando o instinto nos mandava reagir batendo com a mão na mesa.
Um brinde aos amigos!
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