14/05/2010

O carteiro não toca duas vezes, no meu caso nem uma!

Os meus cães ladram tanto ao carteiro que acho que ele desistiu de me trazer cartas. Eu compreendo os meus babies, sentem-me indefesa e sentem-se na obrigação de declarar território marcado. Também compreendo que o carteiro (este que não toca e anda de mota) perante o rosnar feroz, não perceba que se tratam de dois palermas.
No meio de tudo isto, só tenho pena das cartas que não chegam. Sou parva, eu sei, mas abro sempre uma carta com entusiasmo, mesmo que seja a conta da luz.
Quem não sente saudades das cartas que se mandavam antes dos e-mails e SMS?
Os selos coloridos e diferentes, o papel de cheiro, ou mesmo uma folha arrancada de um caderno, o cheiro da tinta da caneta, o envelope personalizado, ou não, sempre selado com amor e "cola cuspo." Até mesmo os postais, que as amigas mandavam, quando iam de férias, onde escreviam as coisas mais parvas que se pode imaginar, esquecendo-se de que este estaria exposto à indiscrição de todos aqueles que lhe tocassem, até chegar ao seu destino.
Bem sei que não são amigas do ambiente e que querem acabar com elas, mas são íntimas e românticas e eu começo a descobrir o romantismo. Quem diria? Mais vale tarde do que nunca.

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