Então... Não consigo planear férias, não dá mesmo. As coisas que faço, vejo, ou encontro, acontecem, na maior parte das vezes, por acaso ou mera sorte. Por exemplo, comprei um bilhete para um concerto em Londres (foi a minha prenda de Natal), então tentei programar a coisa para passar lá uns dias. Como a viagem era mais barata do Porto, decidi passar lá uns dias, pois nunca lá tinha ido a lazer ("shame on me", eu sei). Só quase na véspera de partir é que percebi que ia apanhar o S. João.
Tentei a todo o custo programar aquilo que iria ver, em cada dia, mas é mais forte do que eu, tive de partir à aventura. Verdade seja dita, que a zona da baixa (onde fiquei) não é muito grande. Com vontade de caminhar, faz-se tudo muito bem. E sabem que mais? Adorei o Porto! Adorei aquelas escadarias, por onde me perdi, adorei aquelas casas geminadas de todas as cores. As pessoas também são cómicas, no mínimo. Assisti a cada cena... Nem vale a pena comentar.
O Porto deve ser a cidade com mais igrejas por metro quadrado, pelo menos os velhinhos podem passar as tardes abrigados do sol.
Reparei que estão a restaurar muitas zonas, o que é bom. Bem precisa! Já agora podiam limpar as fachadas da maior parte dos edifícios. Não há coisa mais feia do que uma fachada de um edifício histórico escurecida pela poluição, ou cagada por pombos.
O S. João é engraçado, sim senhor, mas, a certa altura, completamente caótico. Levei marteladas, "porradas" (do alho porro, eheheheh) e algumas pessoas encheram-me o cabelo de ervas, não sei porquê. Umas traziam hortelã, outras jasmim, outras... não sei, mas cheirava mal.
Ainda falando de ervas... não me voltem a dizer que a Marinha é um antro de drogas. Vi pessoas a injectarem-se na Sé e enrolam-se e fumam-se ganzas nas ruas, como se fosse tabaco de enrolar. A mim não me incomoda, porque já me habituei a isso, neste antrinho, mas é uma imagem terrível que estamos a dar aos milhares de turistas que lá afluem.
Ou a sardinha do S. João me fez mal à barriguinha (ou o Mateus Rosé, ou a cervejita), o facto é que a minha chegada a Londres foi dramática. Fiquei doentinha, snif, snif. :(
Mas como sou uma mulher cheia de vontade, lá arranjei forças para espevitar e passear. Adivinhem qual era a nacionalidade da primeira pessoa a quem pedi informações? Portuguesa, claro. Foi tão simpática que até lhe dei dois beijinhos, o que é algo notório, porque não sou beijoqueira.
O Porto está para as igrejas, como Londres está para os Bentleys, Ferraris, Porches, Aston Martins, Mercedes e BMW. Nunca tinha visto tanto Bentley, aliás, nunca tinha visto nenhum ao vivo. Em Londres, vi centenas. Meus amigos, estamos a falar dos carros mais caros do mundo, e em certas zonas, conduzem-nos como se fossem carrinhas Méganes! E claro, também vi Lamborghinis e outras coisas esquisitas.
Por falar em esquisito, fazer as rotundas pela esquerda... bbbbrrrrr... Medo!!
É uma cidade interessante, mas não vivia lá, nem que me pagassem. Tem muita gente, é muito stress e muita poluição para o meu gosto. Prefiro a minha aldeia, onde as pessoas podem ser bimbas, mas posso respirar fundo na rua, sem chegar a casa com as narinas cheias de partículas negras, como se tivesse passado a noite numa discoteca para fumadores, sem ventilação.
Sobre as pessoas, adorei ver toda aquela diversidade de estilos, muito alternativos, originais, ou simplesmente estranhos. Tenho a certeza de que vi muitos mais espanhóis, brasileiros, portugueses, italianos, árabes e hindus, do que ingleses. Fiquei com a impressão de que os ingleses apenas devem ocupar altos cargos, porque qualquer empregado de café ou restaurante tem sotaque estrangeiro.
Onde vi muitos ingleses, foi no Hard Rock Calling. Não achei que simpatizassem muito com a arte do "queueing" e nem os achei uns verdadeiros "gentlemen". Muito pelo contrário, a maior parte comportaram-se como umas verdadeiras bestas, sem qualquer respeito pelas outras pessoas que estavam ali a ver o concerto. Foi muito triste que o Eddie Vedder tenha pedido três vezes para acalmarem os ânimos, sob pena de se irem embora. Mas, bestas à parte, o concentro foi BRUTAL, ver Ben Harper e Pearl Jam tocarem juntos é inesquecível. The Hives também foi bom, o vocalista é maluco e eu gosto é dos malucos.
Os dias seguintes foram uma corrida desenfreada. Vou pensar muito bem, antes de voltar a fazer férias destas. Sabia tão bem estar de papo para o ar numa praia, agora...
7 comentários:
O porto é mesmo uma cidade linda, sim senhor.
eu não consigo planear férias porque não consigo pensar muito além de dois dias... é que acontecem-me sempre coisas muiro estranhas, situações bizarras mesmo, como ser confundido um tal Ali o Xiita por um iraniano que, segundo ele, tinham fugido juntos e, por não lhe conseguir explicar convenientemente que não era o tal Ali (já fui em tempos, agora que fiquei 27 anos mais novo deixei de ser) tive que ir beber com ele, por exemplo. Agora somos amigos, mas axo que ele não acredita que não sou Ali, deve pensar que me estou só a armar em esquisito...
novo post em
http://forcanamaionese.blogspot.com/
Ahahahahah! Bizarro! Vê lá se não entras para uma lista de terroristas procurados.
"O Porto deve ser a cidade com mais igrejas por metro quadrado".
Hás-de ir a Braga. :)
Pois, nunca fui lá. É um destino possível. :)
Bem, de enfiada falas logo em duas cidades que me dizem muito (três, se contares Braga), num só post. E falas também de uma das minha bandas predilectas. Lol.
Começando, quanto às igrejas, faço das minhas as palavras da Rachelet. Dos 10 anos que tenho em Braga e conhecendo muitíssimo bem também o Porto, posso-te dizer que Braga ganha claramente, se bem que o Porto também está cheio delas! E não teres ainda visitado Braga e o Minho é ainda pecado maior ;) Mas tens tempo.
Quanto ao Porto, é uma cidade fantástica, sim. Única também. Mas bem que deveria mesmo levar um peeling, pois com tantos edifícios antigos e lindos que a cidade tem, eu só imagino se estimassem esse património como o fazem aqui por Londres. E por falar em Londres, compreendo que não quisesses viver aqui. De facto não é agradável ter de assoar o nariz no final do dia e ter o lenço de papel completamente preto. É stressante andar por vezes no meio de tanta gente, espalmado que nem sardinhas no metro, por exemplo. Tem imensa confusão e é grande demais. Mas no meio disso tudo, encontras parques absolutamente fabulosos. Lindos. Fantásticos. E nunca adivinharias que estavas dentro de uma das maiores cidades do mundo, ao passar a tarde neles. E depois em Londres estás sempre envolto de história, de edifícios fantásticos e de uma oferta cultural ainda mais fantástico. E apesar da má impressão que o HRC te causou, por aqui a norma é mesmo respeitar as filas e a maioria das gentes são mesmo muito polites. Mas são também muito bêbados, daí talvez a impressão causada pelo HRC. E ao viveres por cá durante algum tempo, consegues sempre depois descobrir qual a zona mais calma ou bacana onde se viver e se houver libras suficientes, é mudar para lá!
Quanto ao concerto, sendo num festival, nunca chega aos calcanhares de um concerto próprio, mas como dizes bem, momentos especiais como o 'Under Pressure' do Ed & Ben e 'Red Mosquito' da banda com o Ben fizeram valer bem a pena!!
Da próxima vez que houver tour pela Europa e não arranjares novamente bilhete para Lisboa, vem até cá novamente e avisa da próxima vez, que vos levo a beber um pint de Sagres nesta grande metrópole :)
Tens toda a razão. Às vezes, parece que tenho momentos de lucidez, nesta vida que é uma correria e penso: "mas porque raio ainda não fiz isto?" Mas é como dizes, ainda tenho tempo.
Este post foi escrito a correr, porque mal cheguei de férias já tinha pilhas de trabalho à espera, mas ainda vou fazer mais posts sobre Londres e sobre o Porto. Houve coisas que adorei em Londres, claro. Percebo e concordo perfeitamente com o que dizes, mas o problema não é de Londres em si, mas sim a imensidão de anonimato que representa. As cidades grandes abafam-me, oprimem-me.
Os meus vêm de um meio rural, mudaram-se para a cidade, como tantos outros. Desde que me conheço como gente, sempre optei por passar todos os meus verões no campo. Há qualquer coisa no campo que me encanta e não consigo viver sem isso. Vejo-me sim a morar num monte escocês rodeada de ovelhinhas! ahahahah
Ah! Um dia ainda cobro esse convite :-p
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