18/08/2010

Quando as palavras não chegam

Com um nó na garganta, tento escrever algumas palavras de consolo. Como apaziguar uma dor que não tem explicação e que nunca terá um fim? O que dizer a uma mãe, que perdeu uma parte de si, que viu a vida do seu rebento ser roubada por um cancro?
Não há palavras. Não existe letra ou símbolo, neste mundo, que possam exprimir tamanha dor. Nem todas as palavras do mundo poderão salvá-la do mar de tristeza que se avizinha, da eterna saudade.
E enquanto escrevo, dou por mim a desejar que exista um Deus, porque é nas horas de aflição que buscamos inspiração, ou força, em algo que não conseguimos compreender e que sabemos que provavelmente não existirá. Mas é mais fácil acreditar. Tira-nos um peso dos ombros imaginar que, um dia, não teremos de enfrentar o vazio, a infinitude do vazio.
Dou por mim a ser simplesmente humana, mesquinha e egoísta, a desejar com todas as minhas forças que nunca tenha de passar por isto, ter de viver incompleta.
Já que as palavras não são suficientes, gostava de lhe de dar um abraço, um abraço forte, selado pelas lágrimas, e que elas sarassem as feridas e lhe dessem força, para enfrentar a longa jornada, que terá pela frente. Sem lições de vida, sem conselhos espirituais, sem lamentos, apenas o silêncio e o toque amigo, que tudo dizem e tudo curam, ou tentam curar.

1 comentários:

Tanita disse...

Um beijo com muita força.