Sempre me irritaram os patrões que pensam que tudo podem fazer. Sempre à margem da lei, vão enchendo os bolsos e impondo situações absurdas aos trabalhadores. "Queres, queres. Não queres, há mais tansos ansiosos para virem para o teu lugar." Porque o mercado do trabalho assim o dita.
Ainda me irritam mais as pessoas que se deixam coagir desta forma, sem reivindicarem os seus direitos, optando sempre pela solução mais fácil. "O que eu não quero é arranjar problemas." Pois, tenho novidades para vocês: se não arranjarem problemas, continuarão a ser sempre o mesmo povinho burro e explorado!
O que terá acontecido ao português que lutava pelos seus direitos? Morreu com a utopia comunista?
Desde que comecei a trabalhar, há uns bons anitos, sempre me deparei com situações injustas. De todas, a que mais me irrita* é uso do trabalho temporário, parar preencher vagas permanentes e não temporárias.
Soube há pouco tempo, que uma das grandes empresas da terrinha, que auferiu lucros de milhões e mesmo assim se recusou a aumentar o salário dos trabalhadores, por causa crise, recorre ao trabalho temporário para preencher cerca de 50% dos postos de trabalho. Se isto não choca, então que tal o facto de haver operários que trabalham em regime temporário há cerca de três anos, ou mais? Ilegal? Parece que para eles não é. Como se não bastasse, sempre que entra "uma nova fornada" os salários vão baixando. Ora o que fizeram os ricos gestores? Chamaram os temporários, (aliás, temporárias, porque são as mulheres que estão mais sujeitas a este tipo de exploração, para poderem ser despedidas assim que engravidam, sem chatice. É simplex!) que entraram na empresa há alguns anos, auferindo um salário visivelmente superior e fizeram-lhes uma proposta, digna deste tempo de crise: "Ou aceitam receber menos, ou são despedidas." Ora aqui está o mundo em que vivemos.
Ninguém teve coragem de denunciar a empresa, mas eu sinto-me quase na obrigação de o fazer. Além de fazer uma reclamação à ACT, cujo trabalho é fiscalizar as empresas, coisa que nunca acontece nesta zona. São barbaridades, atrás de barbaridades e os empregadores escondem-se atrás desta protecção invisível que é a ineficiência das nossas autoridades. Cada vez gosto menos deste país.
* Também me irrita a discriminação constante a que as mulheres estão sujeitas. Recordo-me de quando ia a entrevistas de trabalho, um homem velho, gordo e incapaz, que dirige uma indústria deixada por herança, perguntava sempre: "Tem filhos? Está à espera de ter filhos?" Claro que contestava sempre a pergunta e não conseguia o trabalho. A minha dignidade acima de tudo.

2 comentários:
Helena! Infelizmente tudo o que disseste neste post é a triste realidade do país em que vivemos. Também gosto cada vez menos deste país.
Cabe-nos a nós mudar esta tendência. Acredito que é possível.
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