Não sei se já tinha dito, se disse paciência, volto a repetir, faço legendagem para surdos, tradaptação, legendagem intralinguística, tradução intersemiótica, é o que lhe quiserem chamar.
Anyway, a minha paixão é e sempre será a tradução, que continuo a fazer, por amor à camisola, mas quis a vida apresentar-me à Dra. Josélia que me pegou o bichinho e, extraordinariamente, a gaja tinha jeito e acabou mesmo por fazer aquilo que sempre disse que não faria. Pois é, nunca digas nunca. Onde está agora o sonho de intérprete? Longínquo, longínquo, tão longínquo do meu presente, como estava no passado uma pós-graduação de 4500€, a tempo inteiro, diurna, para uma trabalhadora estudante. Enfim, os sonhos não são para quem sonha, são para quem os pode comprar.
Paciência, o mundo perdeu uma excelente intérprete (sim, porque eu tenho aquela capacidade de ouvir e estar a pensar noutra coisa completamente diferente, o que se revelou uma mais valia na interpretação), mas ganhou uma talentosa... e agora? Tradutora, vamos lá.
O destino nem sempre é amigo dos sonhos, mas reserva-nos surpresas muito agradáveis. Poder fazer e viver de uma actividade que adoro é, também, a realização de um sonho.
Além da tradução, que gostava que não fosse tão mal paga e, sobretudo, tão mal tratada por profissionais de caca, passo os dias a legendar novelas. Pois é, pois é. Eu que deixei de ver novelas depois da Pedra Sobre Pedra, vejo-me agora atirada para este mundo de vilões e "mocinhas." E apesar do meu cliente achar que a comunidade surda e as pessoas com deficiências auditivas só vêem novelas, fico feliz por contribuir para um mundo mais igualitário. Ficarei ainda mais feliz, quando os tribunais se deixarem de tretas e obrigarem os canais de televisão a cumprirem o que a ERC propõe e começarmos a ter audiodescrição nos 4 canais nacionais, à semelhança do que a RTP já faz.
Mas isto tudo para quê? Hoje, estou num dia de divagações, prevejo um dia muito pouco produtivo. Isto tudo para dizer que este gajo, a quem nunca achei muita piada por ter a cara laroca sempre "muito lavadinha," agora, alegra-me os dias com o seu ar de vilão malandro. O que é que eu hei-de fazer? Não podemos gostar todas do príncipe no cavalo branco. Gosto bem mais do misterioso "dark side" e gente problemática. É o dedinho, é o dedinho.
(# música instrumental)
(Marcha Imperial - Guerra das Estrelas)