Nunca fui boa a matemática. Verdade seja dita, nunca me esforcei muito. A minha paixão sempre foi outra. Os números sempre foram um grande zero, cheio de nada. Claro que nunca pensei, na minha juventude rebelde, que os números viriam a representar uma parte tão importante da minha vida. Como é boa a irresponsabilidade e a ignorância da juventude.
Uns anos mais tarde, fui forçada a ter uma cadeira de Economia. O dezoito da teoria, compensou-me a nota miserável dos exercícios práticos. É assim a vida. Na teoria é tudo muito bonito, na prática está tudo fodido (oops! palavra feia).
E como sou boa na teoria, tenho a minha teoria sobre esta crise internacional. Não será uma opinião inédita, certamente não irá ao encontro das opiniões dos grandes entendidos (vai de encontro, como os jornalistas gostam de dizer).
Todos nós sabemos como isto aconteceu, os bancos andaram a brincar com o dinheiro deles, perderam-no, depois brincaram com o nosso e também o perderam. Resumo assim todo o episódio de especulações e jogos de mercado. Para mim são jogos. Sempre me ensinaram que não se brinca com coisas sérias.
O resultado também conhecemos. O número de milionários aumentou, a par com a pobreza. Sempre achei que as pessoas honestas nunca terão possibilidade de ser ricas. Basta ver o exemplo destes novos milionários, que souberam aproveitar o momento de crise, para meter ao bolso todo o dinheiro que conseguiram.
Os governos que se quiseram manter à tona, endividaram-se ainda mais. Ora isto para mim, que nada percebo de Economia, parece-me um tiro no pé. Quando houver outra crise, seremos forçados a pedir ainda mais. O que acontecerá, então? Nem é preciso ir tão longe. Alguma vez conseguiremos pagar isto? O objectivo é pagar a dívida, ou ficar eternamente a encher os bolsos aos grandes senhores do mundo?
Depois, para se safar e sem prejudicar salários milionários, mordomias e reformas acumuladas, toca de fazer o povinho, já empobrecido, pagar esta dívida. Toca de aumentar impostos, toca de massacrar quem já está a ser espezinhado.
Bem podemos ter esperança num país pobre, que tudo exige dos cidadãos e nada dá em troca. Faz lembrar a relação de um daqueles casais que estão destinados ao divórcio. Um deles dá tudo por tudo para manter o casamento, porque ama a outra pessoa, mesmo quando ela não lhe dá o devido valor. A outra toma-a como garantida e continua a abusar da sua boa vontade, uma e outra e outra vez. Mas, como tudo o que é demais chateia, chega o momento de ruptura. A parte esforçada perde o alento e tudo cai por terra.
Quero ver o que farão as pessoas deste governo, quando abrirem os olhos para ver o antigo país envelhecido em crise, dar lugar a um país de velhos, desertificado, em bancarrota.














