23/10/2010

Out of office

Estarei ausente de 23 de Outubro a 1 de Novembro, sem acesso ao email.
Se for uma emergência, por favor, telefone para o 112.
See You Later Alligator!

21/10/2010

Complexo




Tenho especial interesse em tudo o que diz respeito às favelas. Talvez tenha uma visão inocente do que se passa lá, mas acho que as favelas são o resultado do engenho do Homem, da capacidade de se desenrascar, da esperança que as pessoas vão buscar, mesmo quando nada lhes resta. E do nada construíram cidades em montes, verdadeiras sociedades com organizações próprias, onde, é certo, os oportunistas se aproveitam dos mais fracos, e que, por vezes, parecem ser vítimas de uma "injustiça" divina. Lá encontramos o melhor e o pior que se pode esperar de um ser humano, lições de vida e de coragem.
Sou uma fã assumida do cinema brasileiro. Gosto da forma como consegue passar para o ecrã toda a crueza de uma sociedade injusta, sem grandes artifícios. Desta feita, foram dois  portugueses que nos presentearam com um documentário, que me parece imperdível.

Teremos consciência do que se passa à nossa volta? (40)




É por estas e por outras que digo que o Homem é o maior parasita do planeta. Chega, instala-se, esgota os recursos, destrói e parte para outro lado.
O Coração do Mundo, uma das três maiores florestas tropicais, riquíssimo em fauna e flora únicos, assemelha-se a um coração afectado pelo colesterol, cheio de veias entupidas, que não o deixam bombear o sangue que nos dá vida.
Talvez fosse importante reflectir sobre um dos negócios mais rentáveis da actualidade, no Brasil, motivo pelo qual, talvez, se tenha mantido à tona da crise mundial.

20/10/2010

Flashback 18

Já devem ter reparado, caros leitores, que as minhas séries tendem a ficam pelo meio... Não é desleixo, a sério. Pronto, talvez seja um bocadinho, mas é mais falta de tempo.
Ora, como tenho de terminar esta série até Dezembro, vão levar com uma boa dose da musiquinha que me acompanhou nas horas boas e nas horas más.
Desta feita, deixo-vos com os meus amados Blur e estes dois minutos de pura adrenalina. Se conseguirem ouvir isto, sem dar ao capacete, das duas uma: ou são fãs dos Oasis (dois dedos na boca), ou estão na idade de meter os papéis para a reforma.
E o que me fazem lembrar estes britânicos de estilo meio geek, mas giros? O Calvete! A minha grande paixão da secundária. Além de ser parecido com o Damon Albarn, usava uns casacos trainers giríssimos e completamente incomuns, para a altura, óculos de massa... Estava a tentar lembrar-me do rabo, mas isso já era muita informação, para armazenar todo este tempo. Seja como for, o gajo era giro e, o que mais me atraía, era diferente de tudo o que tinha visto até então. Por tudo isto, transformou-se numa figura com a qual nunca fui capaz de comunicar. E agora perguntam: "Então e estavas apaixonada?" Ó pá... Era garota, está bem? As garotas podem e devem ter estas pancadas platónicas.

19/10/2010

Missão impossível

Imagem enviada pela Cátia. Sim, ela existe.

Triste mundo, triste Portugal

A crise económica está em todos os telejornais, mas eu há uns dias vi-a. Descobri-a num corredor do supermercado onde se vendem pacotinhos de línguas de gato.
A velhota vestia um casaco de malha gasto e sujo. Devia ter uns sessenta anos, talvez mais, os pés e os tornozelos estavam inchados, caminhava muito devagar e falava muito depressa. Tinha uma costeleta na mão, queria levá-la sem pagar e tentava explicar-se à gerente do supermercado. Deixei-me ficar, a cuscar a conversa.
A gerente da loja é uma mulher sofisticada e mesmo muito, muito boazona. Lembra vagamente uma daquelas velhas caricaturas da revista Gaiola Aberta, mas com melhores cores. A gerente da loja caminha de um lado para o outro como um sentinela de mini-saia. Estica esplendorosamente as pernas, de tal maneira que muitas vezes me pergunto se também não tem mamilos nas solas dos pés.
Naquela voz de bagaço notava-se uma mistura de impaciência e familiaridade: «Você é sempre a mesma coisa!», dizia para o casaco de malha gasto. «Sabe muito bem que não pode levar nada sem pagar!»
A velhota não se deixou intimidar, pois tem uma filosofia de vida que consiste em desafiar, com matreirice, as próprias fundações em que assenta a nossa sociedade. Ofendida e cheia de raiva, devolveu a costoleta à gerente e respondeu: «E você é sempre a mesma cabra! Qual é o problema de eu não ter dinheiro se tenho fome? Maldita sejas. Porca. Cabra.»
A gerente do supermercado suspirou e virou-lhe as costas, desejosa de pegar num telemóvel e contar a uma orelha todos os detalhes da horrorosa experiência. A crise económica de que tanto se fala nos telejornais também a afectará, pois já não poderá comprar aquela saia espectacular que viu na Pinkie.
A velhota seguiu caminho, mas não saiu do supermercado, dirigindo-se muito lentamente à zona do café.
O café – e todo o supermercado – tem cartazes onde se anuncia uma relação especial entre o supermercado e nós, pessoas clientes. «O nosso compromisso é consigo», anuncia-se com frequência. A velhota prepara-se para testar essa preciosa relação, aproximando-se do balcão e pedindo um croissant com queijo. Desconfiada dos modos esfarrapados da senhora, a empregada da loja anuncia o decreto do costume: «tem de pagar primeiro».
Nenhuma regra é capaz de fazer desabar a sua força de vontade. Qual teria sido o destino desta mulher se há muitos anos alguém tivesse notado a sua notável capacidade de se desenrascar, a coragem e ousadia, a óbvia inteligência?
Fazendo-se de muito surpreendida, a velhota explicou: «Mas, menina, a gerente é que me disse que eu podia vir aqui e aviar-me de graça!». Se esta tivesse pegado, a velha poderia ter saído dali como a heroína das aldrabonas.
A menção de uma figura da autoridade deixa a pobre empregada ligeiramente confusa, mas depressa recupera a compostura: «Não pode ser, minha senhora, não se pode levar nada sem pagar». «Mas a outra disse-me que podia!», insiste a velha.
O outro empregado resolveu socorrer a colega. «Nós não podemos aviá-la sem pagar, a senhora tem de ir ali à caixa número 1, está a ver ali, vai lá e pergunta primeiro se pode.» Não sei se o homem utilizou o estratagema para despachar a velha ou usou a velha para pregar uma partida ao colega da caixa número um: era um mero aprendiz de feiticeiro, claro, e a velhota não arredou pé.
«Mas eu tenho dinheiro!», disse.
«Então pague!», respondeu o empregado.
«Não posso!»
«Não pode porquê?»
«Porque tá no banco!»
«Então vá levantá-lo!»
«Não posso. É sexta-feira, já fechou!».
«Não fechou nada, só fecha às três horas.»
A velhota queria um pouco de crédito, não sobre o hipotético dinheiro que tinha no banco, mas sobre a sua própria condição de ser humano. Perante o dinheiro, o valor e o poder do dinheiro que dilui os nossos sentimentos numa pasta de indiferença, não passamos de escravos. Amamos o dinheiro. Temos medo do dinheiro. Somos escravos apaixonados e medrosos.
Ela não quis ou não soube explicar a natureza do seu crédito, e ninguém estava com muita vontade de perceber. Um dos clientes mostrou-se interessado, mas logo se percebeu que a intenção era meter uma bucha na conversa, especialidade tipicamente portuguesa: «Para comprar alguma coisa é preciso dinheiro, minha senhora!»
Falou em voz alta, sorrindo à procura de aprovação para a sua extraordinária capacidade em debitar verdades universais.
A velhota ignorou-o com sensatez e voltou a pedir o croissant à empregada. Pareceu já sem energias, prestes a desistir. A jovem rapariga, perturbada com a situação, voltou a dizer que não podia ser, «não pode levar nada sem pagar».
A mulher afastou-se, finalmente vencida, vociferando as mesmas conclusões «Porca, cabra, maldita», saiu do supermercado no passo doloroso e miserável de sempre, e pôs-se lá fora a estender a mão às sombras apressadas que passavam.

Este lindo texto do Marco Santos descreve uma realidade cruel, cada vez mais comum no dia-a-dia. Quantos de vós se depararam com situações semelhantes? A quantos de vós o pedinte causou empatia? Quantos de vós o ajudaram, ainda que só tivessem de despender uns míseros cêntimos?
Vejo que a maioria das pessoas reage como se fosse interpelada por leprosos, muitos tentam ignorá-los, como se não fossem pessoas. Aliás, possivelmente, a maior parte das pessoas ficam mais sensibilizadas com um cão abandonado, do que com uma criança cigana a pedir esmola.
Nesta situação que o Marco descreve, custava muito aos empregados terem pago a porra do croissant à mulher? E o Chico Esperto, em vez de tentar humilhá-la, não poderia ter pago um pão à senhora? Não se sentiria muito melhor ao chegar a casa? "Hoje, fiz uma boa acção" em vez de "Hoje, gozei com uma pobre."
Não consigo compreender como as pessoas ficaram tão insensíveis. São capazes de passar por um casal, em que o homem bate à mulher e nada fazem. Já me aconteceu em Lisboa. Impedida pelos meus colegas de intervir, avisei o polícia que se encontrava a menos de 10 metros. "Deixa-os estar. Eles resolvem isso." - disse ele. Pois claro, quando ela estiver na morgue.
Passam na rua e vêem pessoas estendidas, nem sequer se dão ao trabalho de ver se estão vivas. Fiquei completamente chocada com o caso daquela senhora, que acabou por falecer, que ficou ali estendida no chão, depois de ter sido agredida, e as pessoas que por ela passavam nada faziam. FUCK!!! Pensavam o quê? Que estava a descansar?? Até um predador implacável da selva é capaz de ser mais sensível do que estas pessoas. O que é isto? Em que mundo vivemos?
E depois há sempre as situações em que a "pobreza leprosa" é contagiosa. Sempre que uma criança me vem pedir esmola, eu dou! Sim, dou e não quero saber do: "Ai... Assim eles não te largam. Ai... depois não vão trabalhar." Idiotas! São crianças!
Falo com elas, porque são pessoas. Quero saber onde moram, se andam na escola, em que escola andam, quantos anos têm. Porque me preocupo, porque são pessoas, porque são crianças, porque se a puta da adopção não fosse tão complicada e as merdas das tradições do Homem não fossem tão imbecis, eu trazia-as para casa. Dava-lhes um tecto e amor, que é o que o ser humano precisa.
Enquanto isto se passa, as pessoas passam, olham, riem, gozam, abanam a cabeça em sinal de desaprovação. Olham para mim, como se estivesse louca, como se tivesse contraído uma doença grave, como estivesse alimentar um mal.
Pois, tenho novidades. A pobreza é um mal social, é sim, mas não é ao fecharmos os olhos que ela vai desaparecer. Quando menos esperarem, ela entra-vos pela porta a dentro. Quando todas as vossas, supostamente, firmes fundações capitalistas caírem por terra, tornar-se-ão mais sensíveis? Começarão a ver o que realmente interessa?

18/10/2010

Não há prémio Nobel para donas de casa?

É que se houvesse, eu ganhava.
Só mesmo alguém de grande competência, consegue passar uma hora a cozinhar uma pasta magnífica para deixar cair tudo no chão. A minha dignidade ainda está lá, entre os cacos, a massa e os brócolos.

Teremos consciência do que se passa à nossa volta? (39)

Mas teremos mesmo, mesmo?
Olhem para o mapa e considerem a distribuição da riqueza mundial.
O que fariam com 1,5€ por dia, 33€ por mês, ou absolutamente nada?

Os Bichos

Uma pessoa muda-se para uma zona quase, quase rural, porque lá respira-se ar mais puro, porque está estrategicamente perto da pseudo-cidade e de Leiria, porque gosta de estar afastada da confusão e tem o trauma de viver em frente a um campo de futebol, porque, sobretudo, gosta do silêncio e no campo não há barulho.
WRONG!!! O ar mais puro? Tudo bem, o pinhal encarrega-se disso. A posição estratégica? Também. Afastada da confusão? Tem dias. Agora, o silêncio?
Além dos cães irritadiços e uma cabra* ou outra, deixada ao relento, que se manifesta contra o frio (coitadinha), existe um ser que polui o silêncio da noite que tanto prezo. Quais grilos, quais cigarras? Aqui são os galos! Cantam desde a meia-noite às nove da matina, até serem substituídos pelos seus comparsas caninos, ou vizinhos parvos com motosserras, ou sinos da igreja.
A sério, não têm noção. Deve existir a proporção de 5 galos por habitante, nesta terrinha. Raios partam os bichos! Não bastava ter de lidar com as minhas insónias. Agora, ainda tenho de contar carneirinhos alto e bom som, para não enlouquecer com o coro ensurdecedor do cocorocó!
Na última vida, devo ter sido uma pessoa que dormia muito. Daquelas que tinham eunucos com abanos, para aliviar o calor, ou jovens bonitos com cabelo encaracolado a dar-me comer à boca. É que só pode! E agora estou a ser severamente castigada.



*Também existem as outras cabras, as vizinhas com problemas de marcação territorial, mas isso é outra história.

17/10/2010

Dói-me a cabeça

Esta tonta, ontem, foi às compras. Pronto.
Sem crise, sem nada a chatear-me. Só eu, os vestidos e os sapatos.
Sem cometer loucuras, dei-me ao luxo de ter um momento fútil só para mim. Afinal de contas, I'm just a girl. Ainda assim, não consigo ultrapassar este peso na consciência. Estou de ressaca, a ressaca das compras.

11/10/2010

Um carrneirrinho, trálálá, dois carrneirrinhos, trálálá...*

Com muitas noites destes, não há massa cinzenta que aguente.


Nota: Homenagem ao Conde de Contarrr. Há coisas que não nos saem da cabeça e realmente associar uma marioneta roxa vampiresca à insónia nunca dá bom resultado.

10/10/2010

Eat Pray Love (com suspiros de bónus)

Nos últimos anos, as minhas idas ao cinema têm reduzido drasticamente. Acho os bilhetes muito caros, para a qualidade das salas e, falando de qualidade, os filmes têm deixado muito a desejar. Não que seja grande cinéfila, mas adormecer em pleno cinema nunca é bom sinal. Também nunca é bom ir ao cinema e ter uma sensação de déjà vu.
Foi o que aconteceu com o Eat Pray Love. A certa altura, parecia que estava a ver, outra vez, o Runaway Bride. O ponto alto do filme foi o intervalo, quando uma senhora se sentou ao nosso lado e, no fim de nos olhar fixamente, perguntou se estava ali sentada, antes do intervalo. Pronto, talvez esteja a exagerar, ou talvez não.
Era bom que estas actrizes percebessem, que as injecções de botox lhes dão ar assim meio... Bem, não vou dizer uma coisa feia. Parece que dão muito uso àqueles lábios. Preferia ver a Julia Roberts com o sovaco por depilar, do que com os lábios assim. Valeram-nos os lábios daquele deus grego do Javier Bardem. OMG!!!!
Não menosprezando o seu desempenho, que será uma mais-valia em qualquer filme, quer fale ou não, mas a sério... Não encontraram um actor brasileiro? Assim de repente, lembro-me de uns tantos giraços. Se há coisa que me irrita é escolherem actores para falar aquela língua universal engraçada da batata quente na boca.
Depois é o velho problema dos filmes baseados em livros. Normalmente, não gosto, mas até já vi alguns bastante bons. Suponho que alguns guionistas não tenham aquela disciplina que os ensina que uma história deve ter uma introdução, desenvolvimento e conclusão. Claro que não preciso de ter tudo explicadinho e até admito que algumas omissões dêem algum mistério ou suspense a certas histórias, mas não me agrada ver um filme, que parece apenas uma sucessão de imagens, sem um fio condutor lógico que as ligue. Fiquei com a sensação de que faltou ali muita coisa, uma história incompleta, sem direito a sequela (espero eu). Resta-me ler o livro para perceber o que tornou a história de Gilbert num bestseller mundial.
MAS... Nem tudo foi mau, e a banda sonora conseguiu manter-me a pestaninha aberta (isso e o Javier :-p). Foi uma enorme surpresa ouvir a Long Road do Eddie Vedder com o Nusrat Fateh Ali Khan, que fez parte da banda sonora do Dead Man Walking. Não ouvia isto há anos! E foi muito, muito bom. Tão bom que cheguei a casa e fui ouvir, outra vez. A música ficou perfeita, parece que foi feita para aquela cena.


Como sou uma fascinada pela Índia, com tudo de bom e de mau que tem, cheguei a casa com vontade de dar uso ao CD de mantras, de voltar ao Ioga e de aprender a dançar o Bhangra, projectos que ficarão na gaveta durante um longo período, suspeito. Até lá, o que hei-de fazer? Deliro com estes sons.


Agora que dei aqui uns pinotes, a fingir que sei dançar, finalizo com o João Gilberto. Uma banda sonora perfeita, romântica, pacífica, boa para sonhar que estou numa praia em Bali e que, de repente, me aparece um Javier Bardem à frente e me pisca o olho. Depois bato com a cabeça em algum lado, acordo e vejo que estou ao lado do meu jeitoso. Tudo bem, também pode ser.

08/10/2010

Pode ser um pouco cedo

Mas este fim-de-semana pede lareira, chávenas fumegantes e sonecas, muitas sonecas no sofá, que eu estou tão cansadinha!...

06/10/2010

A crise não lhes toca

Agora que a blogosfera me exorcizou o mau humor...

... acabei de me lembrar que vou ter férias daqui a duas semanas. Venham elas!

Bom dia alegria!

A sério... Se continuar a pôr a anti-spot nas olheiras, vou pensar que preciso de ajuda profissional, urgentemente!

04/10/2010

Indicador de um bom dia

A bela constatação pela manhã: Estás toda fodida, car#@$lho. Tooooda fodida.