24/01/2011

Dia de eleições na terrinha

Assim de repente, só me apetece dizer que os portugueses são um bocado parvos. Se não querem votar, talvez não lhes faça diferença voltar a instaurar a Monarquia, ou quiçá uma ditadura.
Pergunto-me se a metade dos portugueses que não votaram o fizeram por mera irresponsabilidade, ou foram demovidos, como tantas outras centenas que eu vi, pelo simplex maravilhoso do Sócrates?
Não sei o se passou nos outros concelhos e freguesias, mas aqui, quem tinha feito o cartão de cidadão, era impedido de votar, pois os seus nomes não constavam nas listas de votos, e reencaminhado para uma fila enorme, para partilhar o frio com centenas de pessoas e tentar saber onde poderiam votar.
Como sempre, os supostos voluntários estavam extremamente bem-dispostos e atendiam qualquer dúvida dos eleitores com a maior arrogância e má educação possível. A senhora que me atendeu já tinha berrado com outra à minha frente: "Isso agora não interessa, eu quero é despachar isto." A outra: "Veja lá se lhe custa responder-me." A senhora bem-educada: " As coisas são assim! A responsável sou eu! Sou eu que mando!"
Ora muito bem, quando chegou a minha vez e lhe perguntei porque é que não tinham avisado as pessoas, atempadamente, que se deveriam deslocar à Junta de Freguesia, a fim de evitar esta confusão no dia de eleições, a senhora responde: "Não é comigo que tem de reclamar! Vá reclamar ao Governo! Vá reclamar ao Ministério que inventou o cartão de cidadão! Vá reclamar ao Sócrates!" Com tudo isto e com os bons modos, só faltou mesmo a senhora começar a cuspir-se toda. Então, eu tentei controlar-me, porque isto de trabalhar em casa anda a dar cabo das minhas habilidades sociais, só não consegui ser simpática e respondi: "Não, minha senhora. Eu tenho de reclamar aqui e em todos os órgãos competentes, como o Registo Civil e a Junta de Freguesia, porque cabe-vos a vocês informar as pessoas. E escusa de falar nesse tom!" A senhora olhou para mim, engoliu o sapo, acalmou-se, mas a palhaçada continuou, porque eu tinha mudado de morada e tinha de votar na nova freguesia e não terminou sem me passar um atestado de estupidez, porque: "As pessoas têm de saber o mínimo, não é?" Enfim, mereceu a mesma resposta que ela me deu, para o facto de já me encontrar na nova freguesia, aquando das eleições autárquicas, mas curiosamente ter votado na mesa de voto de sempre. Pois é, rien, pas de tout. Mistério... como diria aquela senhora de uma novela.

4 comentários:

Manuela disse...

Querida Helena, pois parece que foi um caos e pelo o que comprovaste no local, deve ter sido de bradar...

Helena disse...

Foi uma cena digna de um país de terceiro mundo.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Com essa boa educação a senhora deve ser apoiante de Cavaco.

Helena disse...

Não creio. Aqui a maioria é cor-de-rosinha e vermelha. :)