18/01/2011

Liar Liar

Estou a dever alguns posts a esta casa, mas não tem sido fácil com tanto trabalho e idas ao veterinário. By the way, se existir o paraíso, aquela veterinária já mereceu um belo harém de jovens mulatos, de olhos verdes e calças de linho branco. Ok, agora estou a misturar as coisas. Um pouco de crendice católica, alguma muçulmana e ainda uma imaginação luxuriosa. Já ganhei o meu lugar no inferno. Desde que tenha mulatos, tudo bem. E não se ponham com coisas, tipo: "Ai, ai, que ela é casada e diz estas coisas!" Sou casada, apaixonada e, felizmente, não sou cega! Nem o meu marido.
E por falar no meu Michael (sim, porque assinei um contrato), que fez aninhos recentemente, quero contar-vos a minha aventura do jantar de aniversário surpresa. Isto para provar que se eu não fosse uma pessoa directa e sincera, teria de ser uma pessoa sincera e directa, porque, definitivamente, não sei mentir.
Para começar, nem sequer fui capaz de lhe assaltar o telemóvel a meio da noite, como algumas pessoas sugeriram. Mesmo que o conseguisse fazer, não iria longe porque eu e as tecnologias não somos as melhores amigas e essas porcarias que funcionam com o dedinho parecem não reconhecer o meu gentil tacto. Isto origina situações engraçadas, como ele a dizer: "Atende, atende!" E eu, a desesperar: "Não consigo!..." Então, recorri ao velho truque das namoradas dos amigos. Elas sabem tudo, são o oráculo dos tempos modernos. Graças a elas consegui quase todos os números de que precisava e enviei os convites-sms no maior secretismo.
Claro que os amigos dele não partilham da minha inteligência magnífica e não percebem que ser casada com alguém, implica, normalmente, morar com esse alguém e que qualquer pessoa acha estranho que a sua cara-metade comece a ser bombardeada por sms pela noite dentro. O desastre era iminente. Um dia, ele estava a usar o meu 91, quando recebi uma mensagem de um amigo dele, com quem não comunico e não teria motivo algum aparente para ter o seu número. Como o homem é espertinho começou logo a suspeitar e a massacrar-me. Nesta noite aprendi a primeira regra de um mentiroso: Negar! Negar até à morte e de preferência com uma expressão convincente, que foi o que me faltou. Apesar da minha desculpa improvisada de que o Tiago teria pedido o meu número ao primo do Michael, porque a irmã dele precisava de uma tradução urgente, ser absolutamente brilhante, tendo em conta o tempo que tive para pensar nela, creio que lhe faltou convicção ao ser dita.
Ao longo da semana tive falhas comportamentais dignas de açoite. Por exemplo: perguntar-lhe o que devia vestir no sábado, ou marcar encontro com a Cátia para sábado, à frente dele. Finalmente, quando fui comprar-lhe a prenda, ele decidiu que precisava de ajuda para comprar umas calças. Toca de reformular todos os planos e lá vão eles para o Centro Comercial. Aquela balbúrdia havia de ajudar-me a camuflar as minhas intenções. Quando chegámos, comecei a entrar em lojas, para o aborrecer. Quando vi que tinha resultado, pedi-lhe para ir buscar o almoço, porque precisava de ir buscar algo para mim, numa loja. Ele nem contestou. Então, iniciei a corrida de comprar uma camisa em tempo recorde, para ir à Fnac comprar-lhe o livro de fotografia que ele queria e enfiá-lo no saco da Blanco, sem que ele desse por isso. Foi uma corrida desenfreada, mas correu tudo bem. Foi perfeito. Até que terminámos de almoçar e fomos não sei aonde e lhe pedi para segurar o saco... Sim, reticências, muitas, para não dizer uma asneira! Ele começou a olhar para mim a rir-se e eu, na minha lerdice típica, perguntei porque se ria. Ele mandou uma gargalhada e concluiu que não existe pessoa mais distraída do que eu. Mais tarde, consegui despistá-lo, com a ajuda da Débora (a minha leitora assídua tímida) para ir buscar o bolo de aniversário. Pelo menos, do bolo nunca chegou a suspeitar.
À noite inventei uma desculpa estapafúrdia para o conseguir levar àquele restaurante e continuei a negar e a insistir que não percebia os sorrisos dele. À chegada ao restaurante, tive vontade de me enfiar num buraco bem fundo! Até eu que não presto atenção a carros, reconheci todos os que estavam lá. Não tive tempo para dar instruções para esconderem o carro, mas também não achei necessário. Esqueço-me sempre de que toda a informação importante tem de ser transmitida por escrito. Aprendi isto com um antigo patrão. Não que ele mo tenha ensinado. Simplesmente, percebi que seria a melhor forma de me defender dos desvarios dele (aaarrrggg! Patrões...).
É claro que o Michael ainda me deu uma última oportunidade de confessar, como se eu fosse uma criminosa, prestes a ir a julgamento, mas eu fiz o que qualquer boa mentirosa faria: Menti! "Querido, não é o que pensas."
Enfim, tudo terminou com aplausos e gargalhadas. Pude livrar-me desta  terrível bola de neve que é a mentira e punir-me por todas as asneiras, que tinha feito na semana passada, a dançar umas salsas e umas mornas (dançar... cof cof) e... vá-se lá imaginar, havia lá mulatos!! Heaven on earth.

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