14/02/2011

Dia da parvalheira

Eles começam a correria às floristas, à procura de um ramo que expresse o seu amor pela cara-metade, ao gosto da florista, claro está, e enquanto lhes lançam um olhar de flirt por entre as geribérias, queixam-se aos outros camaradas que são machos de mais para se prestar a estas coisas afectivas, mas têm de o fazer senão elas moem-lhes a cabeça.
Elas, por seu turno, pensam em jantares à luz das velas, com comida de inferior qualidade, mas mais cara, porque certamente terá lá qualquer coisa que aluda a um coração. Também oferecem massagens, viagens, boxers aos corações e, na versão mais infantil, peluchezinhos "I love you".
Passam o dia e a noite com os olhos postos nos outros, naquilo que fazem ou recebem, para perceberem onde falharam e como poderão fazer melhor para o ano seguinte.
Amanhã, tudo voltará ao normal. Já se esqueceram de como dizer "amo-te" e de que o amor não pode ser calendarizado e comercializado. Não vem em jantates, em peluches, ou ramos de flores. Não vem em bombons, pulseiras, brincos ou perfumes. Vem nos olhares e nos gestos de cumplicidade do dia-a-dia, que devemos celebrar sempre e não porque todos os outros o fazem.

9 comentários:

Tanita disse...

Eu não comemoro o dia dos namorados...

Até porque o namorido está em Lisboa e eu estou aqui e não somos dados a essas coisas...

Mas confesso que gostei da imagem do Google! :)

Gostei do que escreveste!

:)

Helena disse...

A imagem do Google é bonitinha, com sempre, mas não sei porquê sempre que olho para lá vejo "Glee". :-p

Obrigada! :)

Tanita disse...

Hahaha!

Bem, e até está escrito "gle", falta só um "e".

:)

Helena disse...

Exacto! ;-)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Totalmente de acordo. Este dia e o Dia da Mulher são duas fábulas consumistas, embrulhadas em afectos de plástico.

Miss-I-Am-Free-Because-I-Belong-Nowhere disse...

ahahahha andas viciada no GLEE por isso lês isso. lol

É mais o dia dos "aparvalhados", ainda há pouco tive de ir às compras ao carrefour e muitos eram os que andavam de volta das flores em vaso. POR FAVOR!

Não comemoramos, nunca comemorámos, nem presentes, nem jantarinhos para aqui e para acolá! Acho que é a "fábula-consumista-embrulhada-em-afectos-de-plástico" mais repugnante que existe. Nao há nada pior que ver espalhado por tudo o que é montra ursinhos e corazõezinhos vermelhinhos e carinhosos com mensagens e dizeres, que só de olhar dá vómitos. Orgulho-me muito de nunca nenhum espécime masculino alguma vez se ter lembrado de me oferecer tal coisa. Era sinal de que bem me conheciam - os poucos que tiveram a oportunidade fantástica de me conhecerem :p- e se me oferecessem isso, seria "divórcio" imediato :p

Helena disse...

E não são só esses, Carlos.

Muito bem-vinda a esta humilde casa, minha madrileña favorita!
Olhe, você não me ofenda "tá" bem?
Só vi o Glee duas vezes, por força das circunstâncias e acho uma coisa completamente abominável. Lá porque vejo o So You Think You Can Dance, não vejo todo o lixo que passa na Fox, sem querer insultar. :-p
Quanto aos "festejos" já somos duas. É uma coisa muito idiota, mas o que me chateia mais é o fingimento das pessoas. Há tantas relações que estão mais para lá do que para cá, mas neste dia têm de fazer bonito. Enfim... É como já disseram "afectos de plástico."
Bisous!

Utópico disse...

Este dia não é mais do que a tradução da sociedade consumista em que vivemos.

Temos que esperar que passem 365 dias para que no dia 14 de Fevereiro do ano seguinte demonstremos a alguém que gostamos dela.

É apenas mais um dia consumista como muito outros: o Halloween, o dia dos avós, o dia do pai, o dia da mãe, e perdoem-se se vou chocar alguém com isto, o Natal.

Estamos numa sociedade consumista que apenas nos leva a comprar tudo e mais alguma coisa, como se o presente pudesse substituir o amor, o companheirismo, a amizade, o carinho.

O Natal é o perfeito exemplo de andarmos numa roda vida de compras quando o mais importante é estarmos com as pessoas que gostamos.

Helena disse...

É esta a nossa sociedade, Utópico. Compra-se tudo, ou pensa-se que se compra.