Não, não... Não se deixem enganar. Este post não é sobre filmes de sexo e porrada, nem tão pouco sobre o delicioso rabo de Patrick Swayze, que por cá deixou tanta saudade. É sobre dentistas, a verdadeira profissão dura.
Sempre tive alguma dificuldade em perceber qual o motivo que levaria alguém, com inteligência para entrar em Medicina, a seguir o ramo dos maus hálitos, dentes podres, desdentados e afins. Possivelmente, estarei a ser muito injusta, mas parece-me o caminho mais curto para o sucesso. Afinal de contas, têm de estudar menos e um bom rendimento está mais do que garantido, sem chatices de maior.
Ora eu, se tivesse esperteza para a Matemática e tivesse instintos sádicos, escolheria ser alguém que salvasse vidas, de preferência bonita e magra, num hospital como muitos McSteamys, como se vê na TV. Os dentistas preferem as cáries e servir de inspiração para os filmes de terror. Não podemos ser todos iguais.
Desde que me lembro de ser gente, nunca tive grande medo de ir ao dentista. Nem mesmo daquela vez em que vi todo o processo reflectido na lente do "soutor", isto, claro, numa era pré-lentes anti-reflexo, ou lentes de contacto. Mas verdade seja dita, também não pulo de felicidade, quando lá vou.
Antes de mais, não sou grande fã de agulhas. Por isso, ser anestesiada é sempre complicado (não, não me ponho para lá a fazer fitas, que eu não sou de exteriorizar os meus terrores). Depois é a agressão à boca. São tubos e mais tubos e aspiradores e brocas e espelhos e dedos, tudo dentro da mesma boca. Da minha boca! Deduzo que o cliente de sonho dos dentistas seja o Steven Tyler, por motivos óbvios. Mas eu tenho boca de freira, é pequenina, não admite a entrada de muitos objectos estranhos ao mesmo tempo. Assim, ir ao dentista pode tornar-se doloroso e, por vezes, saio de lá com a sensação de que tenho a boca rasgada, quando a sinto. Na maior parte das vezes, a dose de anestesia é tal, que costumo sair de lá com uma bochecha e parte do lábio completamente descaídos. Não consigo falar, nem comer em condições, às vezes, babo-me toda e, na passada sexta-feira, descobri que não consigo assobiar. Se não tivesse a frieza de analisar a situação e perceber que era da anestesia, teria corrido para o hospital com medo de estar a sofrer um AVC.
Ainda assim, podia ser pior, podia ser muito pior. Podia apanhar um dentista stressado, com sede de vingança e desejoso de descarregar as frustrações do dia-a-dia numa desgraçada indefesa, presa na sua cadeira, como uma mosca na teia de aranha. E, convenhamos, uma pessoa que se submete ao mau estado da saúde oral da maioria dos portugueses, está sujeito a uma crise destas a qualquer momento.
9 comentários:
Pois olha, se não fosse a maldita matemática (e uma certa mediania nas outras ciências), estarias hoje a falar com uma dentista realizada.
Não consigo explicar-te o que apaixona um dentista. Suponho que te questionas como eu me questiono sobre os ginecologistas... mas a ideia de reconstruir bocas saudáveis vai buscar à fã de Legos que há em mim.
Sempre adorei ir ao dentista (o que não quer dizer que tenha uns dentes por aí além... tenho de investir num branqueamento, que são para o amarelito - e eu que não fumo nem gosto de café!) e só não deliro com o aspirador que, quando mal colocado, me cuspinha a cara toda. Pelo menos, é a minha saliva, but still... :S
Ah e que estejam a olhar para mim na fase de cuspir do copo. Babo-me sempre e as assistentes podiam poupar-nos essa humilhação desviando o olhar.
Fora isso, weeee!
(E como me sabe bem sair de lá a sentir as separações entre os dentes?)
(Frrrrreak, I knowzz...)
Estás a ver os dentes do L.O.L.????
Achas que preciso de dentistas????
E depois de ver esse trailer...ASSUSTADOR...não vou querer mais nada com eles. :P
Isso da matemática é injusto. No fundo, muito médicos e outros profissionais têm a inteligência, mas não têm o talento, a vocação, o tacto profissional. E por falar nisso, não és tu que tens problemas com o atendimento ao público? Como fazias isso? Compensavas a irritação que muitos dos clientes de causariam, com um sorriso, quando lhes estivesses a perfurar qualquer coisa? ahahahahahah
Sim, a questão dos ginecologistas... Weird!
Esqueci-me da fase de cuspir, é sempre horrível e acho que as assistentes tiram sempre grande prazer desse momento. :-p
Também há uma broca que manda água, ou sei lá o quê. Às vezes, molha-me toda.
Definitivamente, não partilho desse teu entusiasmo. :)
Ó LOL, esse teu smiley tem um sorriso um pouco assustador. Cá para mim é suficiente para intimidar qualquer dentista armado em psicopata. ;-)
Essa parte (do atendimento) é melhor da profissão! Já reparaste como os dentistas falam contigo e fazem perguntas quando estás de boca escancarada, com uma broca de um lado e um aspirador do outro e não tens como dizer nem ai?
:) Purrrrfect!
Para as burocracias (marcações, pagamentos, etc.) têm as assistentes.
Aahahahahahahah! Tens toda a razão! :)
Cara Helena
Ler um post destes a esta hora (eu sou dos que se deita cedo porque tambem me levanto cedo)pode tirar-me o sono. Recordo sempre o primeiro dente que me arrancaram. Num posto médico improvisado onde é hoje a CGD, um bicha para o dentista. Nem se punha a questão de reparação, era dente fora e mais nada. Um a anestesia em spray e zás. Mais força menos força. Imagine o que foi a minha fuga a dentistas durante o resto da vida. Pronto, já cheguei à fase de tirar um e juntar outro à "cremalheira" e se um dia tiver um prémiozito no totoloto vou ao Maló e fica resolvido.
Cumprimentos
Folha Seca, com um trauma desses a fuga é completamente compreensível. Felizmente, não sou desse tempo, nem do tempo em que se atava guita aos dentes e a uma porta, para dp a fechar. AUTCH!!!
P.S. Tive de ir ver à net quem era o Maló...
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