Acho que nunca vi um concurso de misses. Ou talvez esteja a mentir. De certeza que, quando era pequena e só tinha 2 canais, me impingiram um ou outro concurso destes (naquela altura em que as candidatas portuguesas eram sempre, estranhamente, feias). Mas os resultados dos concursos são sempre motivo de notícia, por isso fico sempre a saber qual é a nacionalidade da Miss das misses.
Seja por ouvir o nome da Venezuela tantas vezes, ou por já ter visto um outro episódio de novelas venezuelanas, sempre associei este país a uma fonte inesgotável de mulheres bonitas. É um facto que elas se arranjam muito (ainda bem para elas, que conhecem base à prova de derretimento por calor em excesso), mas também é um facto que são lindas para caraças. E isso não implica que sejam idiotas.
Conheço uma venezuelana que é das pessoas mais impressionantes que eu conheço, além de ser linda. Muito discreta, ao contrário do que as suas conterrâneas nos fazem crer, a sua herança genética venezuelana e colombiana é inegável. De tal forma que a mulher tem quase 40 anos e parece ter 18 (sem exagero). Mas não é dela que eu quero falar, apesar das histórias dela darem pano para manga, sobretudo, as histórias de quando a mãe, aproveitando o seu estatuto de mulherão colombiano, decidiu fazer uns trocos através da charlatanice do sobrenatural.
Quero falar do facto da Ivian ser uma mulher formada na área de Recursos Humanos, aparentemente com uma carreira, que, simplesmente, decidiu usufruir do aspecto para viajar pelo mundo, ou (ok) para fazer caridade pelo mundo a fora.
Juro que não compreendo porque é que as feministas se irritam tanto com isto. É que, a sério, já parecem comentários de gente ressabiada.
Não existe pessoa, no meu grupo de amigos, mais chatinha com a léria dos direitos das mulheres. É igualdade para aqui. Equidade para ali. Já na escola, não havia tema de trabalho que não fosse dar à minha propaganda: "As mulheres são boas para caraças e vão dominar o mundo". Mas estas mariquices incomodam-me.
Não percebo como é que o facto de uma mulher decidir usar a sua beleza, pode diminuir de alguma forma a sua imagem. Bem, há usos e usos, mas cada um sabe de si e que imagem quer dar ao mundo.
Aborrecem-me muito os preconceitos de que as mulheres bonitas não podem ser inteligentes e que só podem ter sucesso se usarem o corpo. Bem como me aborrecem os preconceitos de que uma mulher bonita, para ser bem-sucedida, intelectualmente, tenha de "camuflar" o seu aspecto para poder ser aceite em determinados círculos.
E isto, meus amigos, não são preconceitos lançados pelos homens, porque eles querem é ver mulheres bonitas, sejam elas inteligentes ou não (lamento o preconceito machista da minha parte). Estes preconceitos são da autoria de mulheres. Mulheres feministas. A National Geographic, volta e meia, faz documentários sobre os bichos mais venenosos do mundo. Ainda estou à espera de ver um documentário sobre as mulheres.
Feito o reconhecimento da espécie, resta-me declarar que não acho mal nenhum que uma mulher faça uso da sua imagem, para atingir determinado fim. Claro que esta afirmação pode ser muito controversa. Mas não me venham para aqui falar em moral e bons costumes, em direitos de igualdade, em objectos, ou burrice. Trata-se de usar, com inteligência, todos os recursos disponíveis. Nada mais do que isso. Qual é o problema?
* para quem não percebu a piadinha, é um trocadilho com a famosa e cara água Evian.
2 comentários:
Tem um óptimo fim-de-semana :D
Beijinhos *
Muito obrigada e igualmente!
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