28/01/2011

Da justiça

Fiquei absolutamente chocada, quando vi o veredicto daquela gente, que escravizou um rapaz deficiente durante 24 anos.
Realmente, é de saudar que o juiz considere que cem mil euros apagarão da memória tudo o que aquele rapaz sofreu, que lhe poderão providenciar a vida de que foi privado, que o poderão ajudar a reconstruir uma vida e a ter os tratamentos necessários, para, enfim, poder viver como qualquer um de nós, ou melhor. Diria que, após 24 anos de escravatura, este rapaz merece ter uma vida de rei, para o resto da vida. Mas isso sou só eu que tenho uma visão da justiça completamente deturpada.
Agora, o que merece uma grande salva de aplausos é o facto de estes quatros criminosos sádicos terem direito a sair em liberdade. Sim, eu sei, são quatro anos e meio de pena suspensa, ou seja, liberdade. Quatro anos e meio de pena suspensa e uma multa mísera, em troca de 24 anos de uma vida já debilitada.
Certos países são anunciados como paraísos naturais, outros paraísos fiscais, o nosso país é um paraíso criminal.

Vamos ver se tenho tempo de escrever este fim-de-semana sobre o "tal" caso.

27/01/2011

Um pintainho, trá lá lá, dois pintainhos, trá lá lá, três pintainhos, trá lá lá

Três, a conta que Deus fez, foi esse o número de pintainhos encharcados que entraram em casa, após o passeio para o chichi e o cocó.
Não sei porque é que sempre que saio de casa e estão a cair uns pinguinhos, por isso não levo chapéu, porque já é complicado levar os brutos, a lanterna e os sacos para os dejectos, começa a chover torrencialmente. Não tem piada. Principalmente, quando levar com um pingo em cima equivale àquela sensação de nos meterem o cubo de gelo nas costas, por dentro da camisola.

26/01/2011

O peixe morre pela boca

Eu sei que costumo dizer que gosto muito do Inverno. É verdade. É a pura verdade. Gosto mesmo muito. Gostos das lãs, gostos dos gorros, gosto dos cachecóis, gosto de vestir um casaco quentinho, sair à rua e sentir o nariz gelado, mas o resto do corpo quentinho e aconchegado. Adoro lareiras, se tiverem borralho ainda melhor. Sou a menina do borralho, desde que passava férias na aldeia, em casa da minha tia. Sentava-me num banquinho pequeno, ao lado da lareira, em cima daquele borralho gigantesco, com uma chaminé tão grande que se conseguia ver o céu. Não havendo palavra melhor, amo os chás, sobretudo aqueles com toques orientais, com pimentas, gengibres e afins. Adoro dormir no Inverno. É tão bom sentirmo-nos quentinhos. É tão bom adormecer a ouvir a chuva a cair. Mas... tudo tem um senão.
Eu gosto do Inverno, mas do nosso Inverno ameno. Cujas temperaturas rondam os 10º e não tenho de recorrer a grandes avarias para aquecer. Gosto de temperaturas mais extremas, ou não me tenha eu deitado num lago gelado na Finlândia em fato-de-banho, mas só de visita. E estas temperaturas extremas são bem mais suportáveis no interior. Aqui, perto do mar, o tempo é tão húmido que gela os ossos, antes de congelar o nariz. Também gosto muito da chuva, até porque o tempo costuma aquecer quando chove, mas quando chovem dias a fio a coisa já não é assim tão boa. A humidade entranha-se em todo o lado, a roupa não enxuga e, o pior, não se vê o sol. E eu gosto do Deus Sol.
Depois há outro problema, as quatro estações, que afinal são só duas. O Outono, ou seja, o Inverno ameno e chuvoso, o Inverno, ou seja, frio como caraças, telhados arrancados e frio como o caraças, ah! e chuva e frio como caraças, a Primavera, ou seja, Inverno ameno, chuva e flores e depois o Verão. Ou seja, ignorando as datas do começo de cada estação, temos 8 meses de Inverno e 4 meses de Verão. Mais valia não termos verão, para não ficarmos mal habituados.
Eu até nem gosto muito do verão, não durmo bem, fico molenga com o calor, tão molenga que é difícil trabalhar. Mas os dias são grandes! Aaaahhh, como são grandes! Não faz tanto frio à noite, às vezes até faz calor. Sim, não me venham cá com lérias, nós temos noites de verão, em que as temperaturas vão abaixo dos 10º. E apesar do calor ter as suas desvantagens, também gosto muito dele. É bom andar só de vestidinho. É bom estar tanto calor, que só uma cerveja fresquinha consegue saciar a sede. Até é bom ir à Praia da Concha, que devido à sua forma, fica resguardada dos ventos, fazendo com que a temperatura suba, e depois dar um mergulho nas águas frias do Atlântico, tentar que o cérebro não congele, e voltar para a toalha, qual ritual sauna - banho em lago gelado - sauna.
Já estou farta de que os ossos me doam, preciso de luz até mais tarde, para dar os meus passeios de bicicleta e quero andar com menos roupa vestida. Dito isto, quero dizer-te, Verão, que estás perdoado. Podes voltar, está bem? E não demores.

25/01/2011

Então, se tanta gente foi impedida de votar, não podemos questionar a legalidade das eleições?
Digo eu, assim só por dizer...

24/01/2011

Dia de eleições na terrinha

Assim de repente, só me apetece dizer que os portugueses são um bocado parvos. Se não querem votar, talvez não lhes faça diferença voltar a instaurar a Monarquia, ou quiçá uma ditadura.
Pergunto-me se a metade dos portugueses que não votaram o fizeram por mera irresponsabilidade, ou foram demovidos, como tantas outras centenas que eu vi, pelo simplex maravilhoso do Sócrates?
Não sei o se passou nos outros concelhos e freguesias, mas aqui, quem tinha feito o cartão de cidadão, era impedido de votar, pois os seus nomes não constavam nas listas de votos, e reencaminhado para uma fila enorme, para partilhar o frio com centenas de pessoas e tentar saber onde poderiam votar.
Como sempre, os supostos voluntários estavam extremamente bem-dispostos e atendiam qualquer dúvida dos eleitores com a maior arrogância e má educação possível. A senhora que me atendeu já tinha berrado com outra à minha frente: "Isso agora não interessa, eu quero é despachar isto." A outra: "Veja lá se lhe custa responder-me." A senhora bem-educada: " As coisas são assim! A responsável sou eu! Sou eu que mando!"
Ora muito bem, quando chegou a minha vez e lhe perguntei porque é que não tinham avisado as pessoas, atempadamente, que se deveriam deslocar à Junta de Freguesia, a fim de evitar esta confusão no dia de eleições, a senhora responde: "Não é comigo que tem de reclamar! Vá reclamar ao Governo! Vá reclamar ao Ministério que inventou o cartão de cidadão! Vá reclamar ao Sócrates!" Com tudo isto e com os bons modos, só faltou mesmo a senhora começar a cuspir-se toda. Então, eu tentei controlar-me, porque isto de trabalhar em casa anda a dar cabo das minhas habilidades sociais, só não consegui ser simpática e respondi: "Não, minha senhora. Eu tenho de reclamar aqui e em todos os órgãos competentes, como o Registo Civil e a Junta de Freguesia, porque cabe-vos a vocês informar as pessoas. E escusa de falar nesse tom!" A senhora olhou para mim, engoliu o sapo, acalmou-se, mas a palhaçada continuou, porque eu tinha mudado de morada e tinha de votar na nova freguesia e não terminou sem me passar um atestado de estupidez, porque: "As pessoas têm de saber o mínimo, não é?" Enfim, mereceu a mesma resposta que ela me deu, para o facto de já me encontrar na nova freguesia, aquando das eleições autárquicas, mas curiosamente ter votado na mesa de voto de sempre. Pois é, rien, pas de tout. Mistério... como diria aquela senhora de uma novela.

21/01/2011

Update

Que é como quem diz: um encontro superior. Vá lá, se fizerem um esforço, percebem.
Nunca mais dei notícias da minha Geisha fofinha, porque se encontra tudo bem no reino canino, na medida do possível, como os portugueses gostam de dizer.
Apesar da veterinária lhe ter dado duas semanas de vida, já vamos para a terceira e ela só não vende saúde porque, enfim, o cancro não deixa. Mas continua com grande garra de viver e, enquanto o puder fazer com dignidade, nós estamos cá para a ajudar e para lhe dar todos os miminhos e docinhos que ela merece.

Recordações

Agora, lembrei-me de quando era miúda e a minha mãe fazia marmelada. Ela metia a marmelada quentinha em taças e punha-a a secar ao sol, sei lá eu porquê, e aqui a euzinha fazia pequenos buraquinhos, com os seus dedos sapudos, em toda a deliciosa marmelada. Que saudades!

18/01/2011

Liar Liar

Estou a dever alguns posts a esta casa, mas não tem sido fácil com tanto trabalho e idas ao veterinário. By the way, se existir o paraíso, aquela veterinária já mereceu um belo harém de jovens mulatos, de olhos verdes e calças de linho branco. Ok, agora estou a misturar as coisas. Um pouco de crendice católica, alguma muçulmana e ainda uma imaginação luxuriosa. Já ganhei o meu lugar no inferno. Desde que tenha mulatos, tudo bem. E não se ponham com coisas, tipo: "Ai, ai, que ela é casada e diz estas coisas!" Sou casada, apaixonada e, felizmente, não sou cega! Nem o meu marido.
E por falar no meu Michael (sim, porque assinei um contrato), que fez aninhos recentemente, quero contar-vos a minha aventura do jantar de aniversário surpresa. Isto para provar que se eu não fosse uma pessoa directa e sincera, teria de ser uma pessoa sincera e directa, porque, definitivamente, não sei mentir.
Para começar, nem sequer fui capaz de lhe assaltar o telemóvel a meio da noite, como algumas pessoas sugeriram. Mesmo que o conseguisse fazer, não iria longe porque eu e as tecnologias não somos as melhores amigas e essas porcarias que funcionam com o dedinho parecem não reconhecer o meu gentil tacto. Isto origina situações engraçadas, como ele a dizer: "Atende, atende!" E eu, a desesperar: "Não consigo!..." Então, recorri ao velho truque das namoradas dos amigos. Elas sabem tudo, são o oráculo dos tempos modernos. Graças a elas consegui quase todos os números de que precisava e enviei os convites-sms no maior secretismo.
Claro que os amigos dele não partilham da minha inteligência magnífica e não percebem que ser casada com alguém, implica, normalmente, morar com esse alguém e que qualquer pessoa acha estranho que a sua cara-metade comece a ser bombardeada por sms pela noite dentro. O desastre era iminente. Um dia, ele estava a usar o meu 91, quando recebi uma mensagem de um amigo dele, com quem não comunico e não teria motivo algum aparente para ter o seu número. Como o homem é espertinho começou logo a suspeitar e a massacrar-me. Nesta noite aprendi a primeira regra de um mentiroso: Negar! Negar até à morte e de preferência com uma expressão convincente, que foi o que me faltou. Apesar da minha desculpa improvisada de que o Tiago teria pedido o meu número ao primo do Michael, porque a irmã dele precisava de uma tradução urgente, ser absolutamente brilhante, tendo em conta o tempo que tive para pensar nela, creio que lhe faltou convicção ao ser dita.
Ao longo da semana tive falhas comportamentais dignas de açoite. Por exemplo: perguntar-lhe o que devia vestir no sábado, ou marcar encontro com a Cátia para sábado, à frente dele. Finalmente, quando fui comprar-lhe a prenda, ele decidiu que precisava de ajuda para comprar umas calças. Toca de reformular todos os planos e lá vão eles para o Centro Comercial. Aquela balbúrdia havia de ajudar-me a camuflar as minhas intenções. Quando chegámos, comecei a entrar em lojas, para o aborrecer. Quando vi que tinha resultado, pedi-lhe para ir buscar o almoço, porque precisava de ir buscar algo para mim, numa loja. Ele nem contestou. Então, iniciei a corrida de comprar uma camisa em tempo recorde, para ir à Fnac comprar-lhe o livro de fotografia que ele queria e enfiá-lo no saco da Blanco, sem que ele desse por isso. Foi uma corrida desenfreada, mas correu tudo bem. Foi perfeito. Até que terminámos de almoçar e fomos não sei aonde e lhe pedi para segurar o saco... Sim, reticências, muitas, para não dizer uma asneira! Ele começou a olhar para mim a rir-se e eu, na minha lerdice típica, perguntei porque se ria. Ele mandou uma gargalhada e concluiu que não existe pessoa mais distraída do que eu. Mais tarde, consegui despistá-lo, com a ajuda da Débora (a minha leitora assídua tímida) para ir buscar o bolo de aniversário. Pelo menos, do bolo nunca chegou a suspeitar.
À noite inventei uma desculpa estapafúrdia para o conseguir levar àquele restaurante e continuei a negar e a insistir que não percebia os sorrisos dele. À chegada ao restaurante, tive vontade de me enfiar num buraco bem fundo! Até eu que não presto atenção a carros, reconheci todos os que estavam lá. Não tive tempo para dar instruções para esconderem o carro, mas também não achei necessário. Esqueço-me sempre de que toda a informação importante tem de ser transmitida por escrito. Aprendi isto com um antigo patrão. Não que ele mo tenha ensinado. Simplesmente, percebi que seria a melhor forma de me defender dos desvarios dele (aaarrrggg! Patrões...).
É claro que o Michael ainda me deu uma última oportunidade de confessar, como se eu fosse uma criminosa, prestes a ir a julgamento, mas eu fiz o que qualquer boa mentirosa faria: Menti! "Querido, não é o que pensas."
Enfim, tudo terminou com aplausos e gargalhadas. Pude livrar-me desta  terrível bola de neve que é a mentira e punir-me por todas as asneiras, que tinha feito na semana passada, a dançar umas salsas e umas mornas (dançar... cof cof) e... vá-se lá imaginar, havia lá mulatos!! Heaven on earth.

Somebody just shoot me, please!

Ainda estou em dúvida quanto a meter-me num mestrado, ou não. Uma coisa é certa, se o fizer, poderei escrever uma tese sobre como as revisões aumentam as tendências suicidas nos tradutores.

13/01/2011

Só para dizer que os vómitos da pequenada pararam e já voltaram aos níveis de parvoíce normais.
Origem do problema: um assalto nocturno à cozinha, que resultou na ingestão de óleo da fritadeira (o que não é a primeira vez, mea culpa, mas eles estão desenvolver capacidades "patais").
Resultado: possível crise de fígado e hipersensibilidade no estômago.
Cura: Uma pica a cada um e uma dieta rigorosíssima.

12/01/2011

Atentem, senhores. Esta é a explicação.

O grande segredo de todas as mulheres a respeito da casa de banho é que, quando eras pequenina, a tua mamã levava-te à casa de banho, ensinava-te a limpar o tampo da sanita com papel higiénico e depois punha tiras de papel cuidadosamente no perímetro da sanita. Finalmente instruía-te: "nunca, nunca te sentes numa casa de banho pública!" E depois ensinava-te a "posição", que consiste em balançar-te sobre a sanita numa posição de sentar-se sem que o teu corpo tenha contacto com o tampo.
"A Posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina, importante e necessária, que nos acompanha para o resto da vida. Mas ainda hoje, nos nossos anos de maioridade, "a posição" é dolorosamente difícil de manter, sobretudo quando a tua bexiga está quase a rebentar.
Quando *TENS* de ir a uma casa de banho pública, encontras uma fila enorme de mulheres que até parece que o Brad Pitt está lá dentro. Por isso, resignas-te a esperar, sorrindo amavelmente para as outras mulheres que também cruzam as pernas e os braços, discretamente, na posição oficial de "tou aqui, tou-me a mijar!".
Finalmente é a tua vez! E chega a típica "mãe com a menina que não aguenta mais" (a minha filhota já não aguenta mais, desculpe, vou passar à frente, que pena!). Então verificas por baixo de cada cubículo para ver se não há pernas. Estão todos ocupados.
Finalmente, abre-se um e lanças-te lá para dentro, quase derrubando a pessoa que ainda está a sair.
Entras e vês que a fechadura está estragada (está sempre!); não importa... Penduras a mala no gancho que há na porta... QUAAAAAL? Nunca há gancho!! Inspeccionas a zona, o chão está cheio de líquidos indefinidos e fétidos, e não te atreves a pousá-la lá, por isso penduras a mala no pescoço enquanto vês como balança debaixo de ti, sem contar que a alça te desarticula o pescoço, porque a mala está cheia de coisinhas que foste metendo lá para dentro, durante 5 meses seguidos, e a maioria das quais não usas, mas que tens no caso de... Mas, voltando à porta... como não tinha fechadura, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto com a outra baixas as calças num instante e pões-te "na posição"...
AAAAHHHHHH... finalmente, que alívio... mas é aí que as tuas coxas começam a tremer... porque nisto tudo já estás suspensa no ar há dois minutos, com as pernas flexionadas, as cuecas a cortarem-te a circulação das coxas, um braço estendido a fazer força na porta e uma mala de 5 quilos a cortar-te o pescoço!
Gostarias de te sentar, mas não tiveste tempo para limpar a sanita nem a tapaste com papel; interiormente achas que não iria acontecer nada, mas a voz da tua mãe faz eco na tua cabeça *"nunca te sentes numa sanita pública"*, e então ficas na "posição de aguiazinha", com as pernas a tremer... e por uma falha no cálculo de distâncias, um finííííssimo fio do jacto salpica-te e molha-te até às meias!! Com sorte não molhas os sapatos... é que adoptar "a posição" requer uma grande concentração e perícia.
Para distanciar a tua mente dessa desgraça, procuras o rolo de papel higiénico, maaaaaaaaaaas não hááááá!!! O suporte está vazio! Então rezas aos céus para que, entre os 5 quilos de bugigangas que tens na mala, pendurada ao pescoço, haja um miserável lenço de papel... mas para procurar na tua mala tens de soltar a porta... ???? Duvidas um momento, mas não tens outro remédio. E quando soltas a porta, alguém a empurra, dá-te uma traulitada na cabeça que te deixa meio desorientada mas rapidamente tens de travá-la com um movimento rápido e brusco enquanto gritas: "OCUPAAAAAADOOOOOOOOO!!" E assim toda a gente que está à espera ouve a tua mensagem e já podes soltar a porta sem medo, ninguém vai tentar abri-la de novo (nisso as mulheres têm muito respeito umas pelas outras).
Encontras o lenço de papel!! Está todo enrugado, tipo um rolinho, mas não importa, fazes tudo para esticá-lo; finalmente consegues e limpas-te. Mas o lenço está tão velho e usado que já não absorve e molhas a mão toda; ou seja, valeu-te de muito o esforço de desenrugar o maldito lenço só com uma mão.
Ouves algures a voz de outra velha nas mesmas circunstâncias que tu "alguém tem um pedacinho de papel a mais?" Parva! Idiota!
Sem contar com o galo da marrada da porta, o linchamento da alça da mala, o suor que te corre pela testa, a mão a escorrer, a lembrança da tua mãe que estaria envergonhadíssima se te visse assim... porque ela nunca tocou numa sanita pública, porque, francamente, tu não sabes que doenças podes apanhar ali, que até podes ficar grávida (lembram-se??).... Estás exausta! Quando páras já não sentes as pernas, arranjas-te rapidíssimo e puxas o autoclismo a fazer malabarismos com um pé, muito importante!
Depois lá vais pró lavatório. Está tudo cheio de água (ou xixi? lembras-te do lenço de papel...), então não podes soltar a mala nem durante um segundo, pendura-la no teu ombro; não sabes como é que funciona a torneira com os sensores automáticos, então tocas até te sair um jactozito de água fresca, e consegues sabão, lavas-te numa posição do corcunda de Notre Dame para a mala não resvalar e ficar debaixo da água. Nem sequer usas o secador, é uma porcaria inútil, pelo que no fim secas as mãos nas tuas calças - porque não vais gastar um lenço de papel para isso - e sais...
Nesse momento vês o teu namorado, ou marido, que entrou e saiu da casa de banho dos homens e ainda teve tempo para ler um livro de Jorge Luís Borges enquanto te esperava. "Mas por que é que demoraste tanto?" - pergunta-te o idiota. "Havia uma fila enorme" - limitas-te a dizer.
E é esta a razão pela qual as mulheres vão em grupo à casa de banho, por solidariedade: uma segura-te na mala e no casaco, a outra na porta e a outra passa-te o lenço de papel debaixo da porta, e assim é muito mais fácil e rápido, pois só tens de te concentrar em manter "a posição" e *a dignidade*.

*Obrigada a todas por me terem acompanhado alguma vez à casa de banho e servir de cabide ou de agarra-portas! Passa isto aos desgraçados dos homens que sempre perguntam "querida, por que motivo demoraste tanto tempo na casa de banho?" .... IDIOTAS!*


Não faço ideia de quem escreveu isto, mas merecia, no mínimo, um Globo de Ouro. É o enredo das nossas vidas.

11/01/2011

A sério, devo ter feito algo de muito mau

A Geisha com cancro, o cabelo curto e, agora, ainda não parei de limpar vomitado da Matilde e Francisco. Vocês NÃO têm noção do que é limpar vomitado de dois labradores. Além de que, obviamente, estão doentes e eu não sei porquê. Estou a stressar!

10/01/2011

Umbiguismo

- Quem é que está sempre certo?
- Acho que ninguém.
- Enganas-te. Eu estou sempre certo.
- Quem é o ser humano mais perfeito da Terra?
- Acho que ninguém é perfeito.
- Enganas-te. Sou eu. Aliás, é por minha causa que a Terra gira e os dias e os anos avançam.
- Estás mesmo certo do que estás a dizer...?
- Claro que estou. Como ousas questionar? Já te tinha dito que nunca me engano. Posso afirmar-te que sou a mais bela criatura deste mundo, a mais sábia, a mais esperta. A tua vida era completamente desinteressante até ao momento em que me conheceste e de nada valia. Agora que me conheces, tens a oportunidade de aprender com o melhor dentre os melhores. A tua evolução começa agora.

07/01/2011

Aviso desde já que o conteúdo deste post pode ferir susceptibilidades

Definitivamente, as coisas não andam a correr bem. Há muito que não chorava por causa de uma cabeleireira e a última vez foi porque me arrancaram um piercing com um pente (cabra sapateira!).
Pois parece que o meu Makeover estava mesmo destinado a ser Extreme! Eu já vou precavida aos cabeleireiros, porque sei que a aptidão principal, para exercer este tipo de profissão, é não perceber o que os clientes querem. Então, eu explico, mostro, exemplifico, só não faço o pino porque isso não seria relevante para o corte. Volta e meia lá encontro umas abantesmas resistentes a todo este tipo de explicação, ou então pensam que são umas artistas importantes demais, para dar ouvidos a uma cliente ignorante. Resultado, chego ao cabeleireiro e peço um Chanel Assimétrico:

E saio de lá com uma merda de um Pixie Cut! (Rachelet tens um estranho poder premonitório, o teu comentário foi um aviso)


Ora a diferença pode parecer insignificante, mas para quem tem uma cara redonda como eu, faz toda a diferença! Haja paciência! Respira fundo... respira fundo... Respira fundo para não voltares lá e arrancares o cabelo àquela parva, para colar no teu. Respira fundo e pensa que os chapéus são teus amigos, ou pode ser que alguém te ofereça uma peruca. Respira fundo, daqui a pouco tempo a situação começa a normalizar.
Inspira, expira... Inspira, expira... e, talvez, com um bocado de sorte, o Michael não te troque por uma miúda de cabelo à francesa.

Tesouradas time

Está na hora do chazinho, para depois acabar o trabalho, rever, entregar e ir aturar um bando de chatas para o cabeleireiro. Bem, na verdade, nunca fui a este, mas parece que tem mais chatos do que chatas. Ui! Obviamente, não me refiro ao parasita, se bem que o conceito de parasita é relativo, mas estes são trabalhadores, logo não se aplica.
Detesto cabelos compridos, a sério. Quer dizer, até gosto de ver aqueles cabelos esvoaçantes, com aspecto pré-Era-da-tesoura, mas isso não é para mim. Acredito que os homens achem sensual uma grande gadelha, e depois dizem que nós é que temos o síndroma das bonecas. Mas digam-me lá, com toda a sinceridade, há coisa melhor do que um pescocinho ao léu? Bem, para mim não.
Felizmente, sou de uma raça que tem amónio no cabelo. Quer isto dizer que ele cresce e cresce depressa. Muito depressa! Assim posso fazer as avarias que quiser e sei que, passados alguns meses, ele já voltou ao normal. Isto também quer dizer que sempre que me corre qualquer coisa mal, na vida, vingo-me no cabelo. Por isso, lá vou eu a mais um Extreme Makeover. Bem, talvez não tanto, mas será certamente uma mudança. Mudança de que eu preciso desesperadamente, por mil e um motivos, mas, sobretudo, porque não aguento mais este cabelo assassino!
Não sei como sobrevivem as miúdas de cabelo comprido, com aquele risco indefinido à lá francesa, que tanto está na moda (já agora, como é que elas fizeram aquilo? Num ano usava-se o cabelo curto. No outro ano, só vêem miúdas de cabelo comprido, pontas espigadas, que não sabem se hão-de usar risco ao meio, ou risco ao lado. Serão perucas? Ou ficaram escondidas em casa, até lhes crescer o cabelo?!), mas o meu, que nem a meio do caminho vai (quer dizer, é capaz de ir, molhado já passa dos ombros), tenta matar-me todas as noites. Eu bem tento usar os truques de o puxar para cima, mas a meio da noite, acordo com ele enrolado ao pescoço e na cara, a tentar sufocar-me. O cabrão! Também não creio que dormir com ele atado fosse a melhor solução para domar os caracóis assassinos. Pelo menos, devia acordar com um penteado muito original...
Enfim, está decidido. Hoje, por volta das 14 horas, vou fazer, certamente, transpirar uma cabeleireira. Sim, é o que acontece sempre. Elas começam animadas e, passado algum tempo, começam a bufar, a passar a mão na testa e a dizer que tenho muito cabelo. Mais um motivo para mandar umas tesouradas neste polvo de caracóis. Só espero que me levem o cabelo, mas deixem ficar o couro.

06/01/2011

Sabedoria Popular I

«Não ver o cu ao padeiro»

Não se aperceber do que se passa à sua volta, deixando-se iludir pelas aparências bondosas e desinteressadas dos outros.

Adolescência I


Extraordinária a força do sonho que nos acompanha e ajuda a crescer. Tantas foram as horas dedicadas à imaginação a criar ambientes, emoções, situações para o sonho se poder cumprir. Reservas de lado, vergonhas à parte, opiniões válidas - só a minha!

Saltei para cima da coluna e dancei. Dancei para cumprir uma vontade de adolescente sempre adiada. Mas ao mesmo tempo vi desfazer-se à minha frente um ícone de masculinidade, tantas e tantas vezes contemplado e admirado frente aos ecrãs da televisão e nas páginas das revistas folheadas em casa das amigas.

Com a mesma música «Maria» de Ricky Martin, realizei e destruí um sonho, e por consequência, fechei mais um capítulo da minha dolescência. Passados 15 anos, a adolescência ainda se afigura mais extraordinária!! Sem dúvida, bons velhos tempos.
O Michael anda com medo que eu corte os pulsos. Então, está na altura de camuflar os meus sentimentos com as piadinhas secas e as gargalhadas, como faço sempre. Tenho direito a verter uma lagrimita ou outra por dia e chega, porque a água faz falta ao organismo e eu não bebo muita.
Vou enfrentar o touro pelos cornos e, como sou mulher (acho que, no fundo, todas temos esta capacidade), arrumo aquele caco partido numa gavetinha lá bem no fundo da memória, para abrir mais tarde, quando precisar de me lembrar que também sou humana e faz bem deitar tudo cá para fora.
Por enquanto, ainda está tudo bem, depois se vê.

04/01/2011

O ano não podia ter começado de maneira pior

Sei que muitas pessoas não percebem e nem gostam quando digo isto, mas o facto é que gosto mais dos meus cães do que de muita gente que anda por este mundo. Não há ser mais fiel e companheiro do que um cão. Nunca nos traem, são bons ouvintes, percebem quando estamos mal, o seu amor é sincero e não esperam muito em troca, apenas comer e mimos. É a relação perfeita.
Por isso, não podia deixar de fazer esta homenagem à minha companheira das caminhadas pelo Tremelgo. Uma lutadora que quase conseguiu dobrar a esperança de vida média da sua raça. Tem actualmente 15 anos. Há 15 anos que os seus olhinhos azuis (reconheço na fotografia não estão no seu melhor) iluminam a minha vida. A minha Geisha, a caçadora de gatos, para minha tristeza, porque gosto de todos os animais.
Agora, abateu-se sobre ela a negra nuvem do cancro e nada do que eu possa fazer a poderá salvar. O cancro está muito avançado e, dada a idade dela, nunca resistiria à anestesia. Mesmo que resistisse, porque afinal de contas é uma lutadora, o pós-operatório seria horrível e o cancro voltaria a aparecer. Por isso, resta-me tentar proporcionar-lhe uns últimos dias felizes e dignos, e vê-la definhar até que o veterinário lhe possa dar o golpe de misericórdia.
Poderão não compreender, mas a dor é imensa. Não convivo bem com a dor. Os meus outros cães percebem que algo não está bem e tentam consolar-me com miminhos e lambidelas. Não sei porque continuo a ter cães, quando sei que o fim é inevitável.
Vou ausentar-me por uns tempos. Perdoem-me o desabafo.