29/04/2011

Dia Mundial da Dança - "Os bailarinos são os poetas do gesto"*



De todos os concursos idiotas que se importam, este é o que mais faz pela cultura, o que mais pode incentivar jovens a sair das ruas e é, realmente, uma pena que não tenha resultado em Portugal.
A dança, talvez por eu ser tão boa dançarina como um bloco cimento, é uma das formas de arte que mais admiro. Deixo aqui a minha mais profunda reverência a todos os bailarinos por este mundo a fora.

* Autor anónimo.

28/04/2011

Isto é que vai aqui uma crise!

Mas não é a crise económica, apesar de também estar relacionado com finanças, é quase uma crise existencial. A crise de quem precisa de comprar uma coisa e não consegue encontrar! E perguntam vocês: "Precisas mesmo de comprar? Não será o teu espírito consumista a azucrinar-te o juízo, quando podias perfeitamente agarrar uma peça do roupeiro e levar?" E eu respondo que não. É o casamento de uma grande amiga e eu não tenho vestidos pipis. Não me parece que um vestido de praia ou calças de ganga sejam apropriados.

Então, vem a crise, vem o desespero. Só faltam algumas semanas e estas lojas que fabricam modelitos para clones não parecem querer mudar os parâmetros das linhas para tábuas rasas. O que me frustra um bocado pois ora pareço um chouriço, ora pareço grávida, ou com o dobro do tamanho.

Depois irrito-me profundamente, quando me apresentam vestidos em forma de saco e me dizem que me ficam bem. Eu até tenho espelhos em casa, eu até sei que estou gordita, mas por acaso até tenho uma auto-estima do caraças e gosto muito das minhas curvas! Se me importava de ter menos? Claro que não, é para isso que faço exercício, mas sinto-me bem comigo mesma e não preciso que essas anorécticas minem a minha auto-estima!

Posto isto, gostava de deixar um recado à Zara e à Mango. Não sei quem são os vossos estilistas, mas acho que deviam dizer-lhes que a maioria das mulheres que compram as vossas roupas são roliças! Eu sei, porque quando procuro os meus números estão sempre esgotados. Por isso, imagino que sejamos muitas.

Agora que exteriorizei o meu desagrado com o mundo da moda, peço às minhas caras leitoras alguns conselhos, os leitores também são livres de opinar.

Cores? O branco está fora de questão, até uma nulidade como eu sabe disso, e como a festa começa durante o dia, supostamente, o preto também estaria interdito. Mas eu gosto de preto... Até porque posso combiná-lo com acessórios de cores vivas, sem me sentir uma abóbora ou um repolho.

Modelos? O corte império está fora de questão, não sei quem inventou a teoria de que eliminar por completo a cintura, favorece alguém com formas protuberantes. Vestidos colantes, por motivos óbvios, também estão fora de cena e os vestidos curtinhos também. Agora, provavelmente, estão todas a pensar no mesmo que eu. Muito bem. Como posso usar uma coisa dessas, direita e sensaborona, sem parecer uma cota? E pior, já corri quase todas as lojas e nada. Sabem onde se encontram estas raridades? A bom preço, claro. Isto não há cá pão para malucos.

Finalmente, a maior dúvida de todas prende-se com o facto de ter uma tatuagem gigante nas costas (eu sou assim, não há nada a fazer). Eu não gosto de ser o centro das atenções e há sempre aqueles idiotas que metem conversa e que metem as mãos pela roupa adentro, para tentar ver a tatuagem, sem noção de que aquilo não é um freak show! Depois fazem perguntas ainda mais idiotas e eu tenho mais que fazer do que dar lições de mitologia, ou falar sobre assuntos pessoais com desconhecidos. Então, poupo o trabalho aos curiosos e vou com as costas à mostra, para evitar que algum idiota mais atrevido me tente desapertar o fecho? Ou tapo-a, correndo o risco de morrer de calor? Depois também não quero que os velhotes, na igreja, se ponham a olhar para mim a benzer-se como se o diabo acabasse de entrar. Digam-me lá de vossa justiça, please.

27/04/2011

Sapiência

Há pessoas que tudo sabem. Já viveram imenso para terem um mundo de certezas sem fim, seja na sua área de formação, seja noutras para as quais não têm o menor talento. O que lhes vale são mesmo as certezas. Como têm muitas certezas, estas pessoas nunca erram e dizem muita vez "nunca" ou "desta água não beberei".
Gostava de, um dia, atingir essa perfeição, esse nível de certeza, mas sou um simples ser humano inculto, imperfeito e incerto. Nasci para errar vezes sem conta e viver sem arrependimentos. Nasci para ter dúvidas, para me atormentar com elas e perder noites de sono. Nasci e aprendi que o saber não é um dado adquirido e nem sempre vem nos livros. Existe um saber que se aprende nas lágrimas caídas, nos corações partidos, nos calos das mãos, nas rugas do rosto, nos cabelos brancos. Existe um saber que só tem lugar na humildade e na constatação de que nada somos, enquanto estivermos rodeados de tantas certezas.

21/04/2011

20/04/2011

Temos vencedor em matéria de vinganças no estacionamento



E o vencedor é este, enviado pelo Nilton via facebook. Não se esqueçam, da próxima vez que vos roubarem o estacionamento e tiverem uma pilinha à mão, com vontade de fazer chichi, dêem-lhe uso!
Senão, ficamos sempre com a sugestão do batom da Rachelet, ou a dos ovos da Inia. O que importa é atormentá-los!

19/04/2011

Revelação

Foi um fim-de-semana de música e revelações. Muito rapidamente, porque o tempo escasseia, vou deixar as minhas impressões de quem não percebe grande coisa do assunto, mas que adora música. E mesmo que não saiba classificar todos os géneros e fazer comparações brilhantes a minha opinião também vale, certo?
Vou deixar a primeira banda que ouvi para último, os Guta Naki, porque aqui os últimos são sempre os melhores.
A Caruma é uma banda muito engraçada, muito original, já trazem um grande grupo de fãs atrás, sejam eles namoradas, papás, ou primos, não interessa. O que interessa é o espectáculo  e esse é sem dúvida um momento bem vivido. Só tenho pena que não tenha sido um momento exclusivamente deles, num local mais aconchegante (para o público). O alinhamento das bandas não os favoreceu e eu só desejava que aquela tortura acabasse depressa, para ver os Peixe-Avião. Os Peixe-Avião não precisam de apresentações. A qualidade dos bracarenses é inquestionável. Infelizmente, foram prejudicados pelo grande atraso nos concertos e pelas más condições técnicas. Os Monomonkey foram bonzinhos. Não tocavam há muito tempo e isso notou-se. Os Born a Lion foram excelentes ao estilo do good old rock e óptimos para rebentar os tímpanos. Os Linda Martini, bem... sem palavras. São brutalíssimos ao vivo e, sabendo que eu tenho uma grande admiração por todas as mulheres que sabem tocar guitarra e/ou baixo, faço a minha vénia à Cláudia Guerreiro. O baixo é quase do tamanho dela, mas ela dá-lhe a valer!
E, finalmente, num parágrafo diferente e tudo, porque merecem, os Guta Naki. Ainda bem que os concertos se atrasaram e eu tive a oportunidade de os ver ao vivo, porque, apesar da timidez da vocalista e de ter de lidar com um público difícil, fiquei absolutamente impressionada. Gostei mesmo muito e para perceberem porquê nada melhor do que verem o vídeo e comprarem o CD, ou corram para comprar um bilhete para os verem ao vivo, porque a voz da Cátia Pereira é ainda mais poderosa ao vivo.

18/04/2011

O que fariam vocês?

Confesso que, por vezes, deposito demasiada esperança na raça humana. Há coisas que penso que nunca irão acontecer, mesmo que no fundo saiba que isto pode ser interpretado como a síndroma de quem viu muitos filmes da Cinderela, ou de quem acredita no Pai Natal.

São coisas que a minha cabecinha (ainda muito presa à imaturidade dos seus vintes que já foram) acredita que são exclusivas a filmes de suspense de má qualidade, ou daqueles que estão na moda sobre carros, porrada, sexo, música horrorosa electrónica e vira o disco e toca o mesmo, ou até mesmo um daqueles programas cómicos que consistem em pregar partidas às pessoas que passam na rua e que, normalmente, acabam com um ataque cardíaco de alguém, ou com um tiro nos cornos (ai que agora parecia aquele "apartidário" a falar...).

Também não acredito que o ser humano seja um anjinho, vá lá... Eu sei que toda a gente tem maus dias e que isso se pode reflectir na nossa simpatia. Por isso, se não me cumprimentam, se não me apaparicam, como qualquer cliente deve ser apaparicado, se não sabem agradecer, se vão com pressa e apitam antes de cair o verde, se não sabem usar os piscas, se têm uma vontade incontrolável de deixar o seu ADN no passeio ou nas esquinas, é pá... eu não gosto. Posso resmungar cá para mim, mas continuo o meu dia, feliz por não ter cedido à má disposição de outrem.

Agora, há aquelas coisas que me recusava a acreditar que alguém tivesse o atrevimento e a safadeza suficientes para as concretizar. E de que falo eu? Do roubo descarado de um lugar de estacionamento.

Estava eu a fazer pisca para estacionar, a aguardar que a viatura, que vinha em sentido contrário, passasse, para proceder à manobra, quando o "cavalheiro" que conduzia a dita se aproxima. Ele olha para o lugar e para mim e decide estacionar. Façanha que lhe valeu uma bela buzinadela, ao que ele responde com um encolher de ombros. Ora não sendo francês (o único povo que pode manifestar o desdém com os ombros, sem gerar ondas de ódio), aquele sinal de desprezo do tipo: "Oh, coitadinha da mulherzinha... O que vais fazer agora? Vais bater-me, é? Vai-te lá embora para a cozinha!" (sim, eu tenho uma capacidade prodigiosa para interpretar o significado dos gestos), fez vir ao de cima o meu melhor Português (o Millôr Fernandes tem um belo texto que explica o uso dessas palavras), complementado com uns gestos tipicamente portugueses.

Na altura, cheguei até a desejar ter um jipe daqueles cheios de barras à frente, para remodelar a lateral ao carro, até ter sítio para estacionar. Desejei até não ter deixado o taekwondo, para o deixar estendido no chão, ou simplesmente pregar-lhe uma rasteira, sei lá. Mas acabei por me ir embora e arranjar estacionamento mais perto do destino.

Várias pessoas gozaram comigo, quando lhes contei (talvez "vociferei" fosse melhor) o episódio. Várias disseram que não saíam de lá, enquanto ele não tirasse o carro, que iam falar com ele, que davam uso ao taco que têm no carro (A sério? Um taco? Ok...), blá, blá, blá, blá. O facto é que todas essas reacções poderiam gerar uma situação de confronto, da qual eu só poderia perder e, sinceramente, não valia a pena. A reacção de o insultar da melhor forma que pude, com o pé estrategicamente no acelerador, caso fosse necessário bater a retirada, ainda me parece a melhor opção. E vocês? O que fariam?

08/04/2011

A verdadeira geração à rasca

E se agora é assim, nem quero pensar como será quando chegar a nossa vez.