Onde quer que eu vá, ela está lá.
Palacio de Cibeles
Confessem, já tinham saudades do emplastro.
Puerta de Alcalá
Parque de el Retiro
Deve ser muito chato não ter praia.
Monumento Alfonso XII
Encontrar um oásis gigantesco como este, no meio de uma cidade imensa, é maravilhoso.
Palacio de Velázquez
Palacio de Cristal del Retiro
Cipres dos los pantanos
Aqui, sim, fazia um calor desgraçado. Ao contrário do que uma certa menina me fez crer, estava um calor esquisito em Madrid, daquele com ventos do Pólo Norte.
E ainda aumentei o peso da bagagem com alguns livritos, para ver se este Espanhol desenferruja.
O tão esperado Museo del Prado. Mais à frente explico porquê.
Mercado de San Miguel
Sonho que, em vez de ser deixada ao abandono, a Fábrica da Resinagem da minha terra seja aproveitada para fazer um mercado como este, aliando o tradicional ao internacional, aliciando turismo e revigorando aquele centro fantasma.
Mirando dos pasteles de "natia", como diria o Sr. Engº. Sócrates.
Lembram-se disto? Encher a boca de Gorilas proporcionou-me momentos estupidamente felizes, na infância.
Combinação perfeita: queijo malcheiroso, que vai demorar uma década ou mais a sair das ancas, e vinho tinto.
Plaza Mayor
O famoso bocadillo de calamares.
Puerta del Sol
Em busca de um substituto do casaco que ficou em Roma.
Cinco andares de Desigual. Imagino que seja uma perdição para as betas.
Plaza de España
Aí está o emplastro numa fonte.
Templo de Debob
Cúpula neobizantina da iglesia de Santa Teresa y San José.
Palacio Real
Ora é claro que alguma coisa tinha de estar em obras.
Eu vi a luz.
Catedral de la Almudena vista do lado que não está em obras.
Plaza de la Villa
Museo Reina Sofia
Obra de Yayoi Kusama, ou "como um gambuzino se sente numa rave de pirilampos."
E foi assim, muito resumidamente, a minha visita de quase três dias à capital dos nuestros hermanos. É quase um pecado dizer isto, com os sentidos ainda inebriados com a beleza de Roma, mas o facto é que gostei muito de Madrid. Poderia viver lá, se estivesse mais perto do mar.
Infelizmente, não tivemos tempo para ver muita coisa e o peso que Roma nos deixou nas pernas foi um motivo para preguiçar. Os jardins são bonitos, os monumentos também, mas acho que é mais o buliço que encanta. Isso e os museus. E os sinais sonoros dos semáforos, que parecem pintainhos a piar.
Poder ver, ao vivo e a cores, monumentos ou outras obras que outrora estudei é uma grande emoção. Por isso, gostei muito de ir ao Museu Rainha Sofia. Poder ver Guernica a tão curta distância é indescritível. Nunca pensei que fosse tão grande e este sentimento foi comum a quase todas as obras que queria ver.
Ir ao Prado foi verdadeiramente comovente, para mim. "Mas aquilo quase só tem pinturas renascentistas", dizem vocês em tom de indignação, por esta tosca não ter sabido aproveitar a modernidade de Madrid.
Já escrevi aqui várias vezes que sou uma grande aselha no que toca a interpretar arte contemporânea. Volto a reafirmá-lo. O que não me impede de a apreciar, apesar de fazer observações idiotas. Isso faz parte do meu ser, nem sempre é sinal de ignorância.
Também não sou perita em Arte de outras épocas, mas desde que estudei Pintura Espanhola, numa disciplina, desenvolvi algum fascínio por aquilo. Eu e a pintura fizemos um clique, como costumam dizer. Por isso, insisti em correr o Prado de lés a lés e homenagear as obras que me valeram um 19. Teria acampado na sala de exposição das Pinturas Negras de Goya, se não me tivessem expulsado, porque o museu ia fechar. (pausa para ir ao dicionário de sinónimos) Fascinante, deslumbrante, encantador, hipnótico, assombroso, divino, estupendo, excelso, extraordinário, inimitável, perfeito, prodigioso, singular, transcendental. Sim, era isso que queria dizer e algo mais que não vem no dicionário. Percebem?
Posso dizer que vim mais rica destas viagens. Todas as viagens enriquecem, sejam as viagens físicas, ou as da alma. “Viajar! Perder países! Ser outro constantemente, por a alma não ter raízes de viver de ver somente!”, como diz Pessoa. Mais do que viagens geográficas, foram viagens temporais. Pude ver, sentir, respirar História.
Gostava que essa História permanecesse intacta, para que as gerações vindouras pudessem usufruir dela. Mas também senti que o Homem não é merecedor de tal honra. Foram inúmeras as vezes que vi pessoas usarem flashes onde não deviam, onde não podiam. Pergunto-me se será pura ignorância, ou se acham que o flash deles é especial e não terá efeitos nocivos nas pinturas. O mesmo serve para as pessoas que têm de pôr o dedinho… Parece que as coisas só se tornam reais, se lhes mexerem. Ou então, acham que só o dedo deles poderá confirmar se estão perante as obras originais. Acho ridículo, desrespeitoso, indigno. Enfureci-me várias vezes em Roma, tendo sido o pior episódio na Capela Sistina, quando um senhor decidiu usar a unha para ver se estava perante uma pintura ou um cortinado mágico, sei lá. Em Madrid, fiquei doente com o chinoca que pôs o dedo numa pintura do Goya (Dos mujeres y un hombre). Felizmente, a mulher deu-lhe uma estalada na mão, porque eu já tinha os meus maços recém-comprados a jeito.
Pergunto-me durante quanto tempo poderemos continuar a usufruir da herança cultural dos nossos antepassados. Pergunto-me se merecemos ter acesso a estas coisas, ou se as devíamos ver apenas em livros, como cenários de histórias de ficção das quais só seremos protagonistas em sonhos.
Dou por mim a desejar que as teorias da conspiração sejam verdadeiras e que as obras massacradas, pelo turismo insaciável, sejam meras réplicas. Enquanto os originais descansam numa cave de uma maçonaria qualquer, com luz e ar controlados, para a assegurar a sua longevidade.
