18/11/2011

Dilema

Pergunto ou não pergunto à minha afilhada se ela é lésbica?
Não que tenha alguma coisa a ver com isso, mas tenho curiosidade em saber se ela realmente tomou uma posição quanto à sua sexualidade, ou se aquilo que está no facebook dela se deve apenas ao fraco conhecimento da Língua Inglesa.

Ainda sobre o post anterior

Leu-se muita coisa sobre as asneiradas da entrevista da Sábado. Por incrível que pareça, até paninhos quentes puseram nos meninos, porque "oh, coitadinhos" não são obrigados a saber tudo. Confesso que isto me causou algum formigueiro na ponta dos dedos e não foi pela má circulação sanguínea.
Antes de mais, tenho de concordar com o facto de a entrevista estar muito mal escrita (mais uma prova de que a qualidade do ensino está a decair a passos largos). Pode até ser tendenciosa, porque não mostrou todos os entrevistados, e dizem os esperançosos que não mostraram os outros 90 entrevistados porque acertaram nas perguntas (yeah, right). Usar isto para chamar ressabiado ao jornalista e dizer que não deve ter estudado, já me parece uma grande falta de educação.
Pois é mesmo de educação de que estamos a falar. Há quem defenda esta tão massacrada geração, que tudo tem, porque no fundo, no fundo eles até sabem bué de cenas. Não sabiam era aquelas coisas, porque as perguntas foram mal feitas, porque os apanharam desprevenidos, é pá... e porque não era a área deles, não é?
A questão é que não estamos a falar de pessoas com o ensino secundário, estamos a falar de estudantes universitários, caraças! Não me parece mal exigir bem mais deles, tal como exigiram de mim e de tantos outros.
Ainda li uma idiotice sobre as elites e sobre a democratização no ensino superior. WTF? A verdadeira democratização do ensino deu-se na geração do meu irmão (aqueles que mostraram os rabos por depilar, na luta contra a PGA e mais tarde chegaram até a conseguir uma suspensão provisória das propinas). Eu ainda entrei para o ensino superior a pagar 60 contos (300€), valor que resvalou até aos mil euros (200 contos) em apenas 10 anos. Como podem achar que o ensino superior é democrático? Estes valores permitem o acesso ao ensino a todos os jovens? Muito pelo contrário, assistimos à crescente retoma do elitismo no ensino. E irrita-me ver oportunidades desperdiçadas por aqueles túneis de vento personificados.
Coloca-se ainda outra controvérsia: estamos a falar de jovens de 18 anos e eles não têm de saber tudo, sobretudo se não foi dado na escola. Ora aqui está o busílis da questão!
Não têm? Pois claro que não têm. E isto faz-me lembrar de uma grande professora minha que, um dia, numa aula do primeiro ano, nos disse que caminhávamos para uma sintetização do saber, para as engenharias do parafuso, onde o conhecimento de cada área é específico e isolado de todas as outras áreas. Isso permite-nos ser craques na nossa área e completamente ignorantes sobre tudo o resto que se passa à nossa volta (aproveito para fazer um profundo agradecimento a todos os meus professores do ensino superior, que nunca me facilitaram a vida e me fizeram puxar pelos neurónios).
Muitos destes jovens entrevistados são alunos de Psicologia. No meu tempo, a média para entrar em Psicologia era de 18 valores. Não sei se isso será diferente, agora. Mas um miúdo, que tenha uma média de 18, tem de ser inteligente. Devia saber um pouco além daquilo que vem nos livros. Saber interpretar o mundo com o seu próprio juízo.
Já no meu tempo havia garotos destes. Brilhantes nas aulas, toscos na vida. E não falo da esperteza para agir socialmente. Falo de saber expor, saber pôr em prática e saber relacionar todas as matérias que aprendemos nas aulas. Cheguei a conhecer pessoas com médias brilhantes, mas com quem era impossível ter uma conversa, porque eram, pura e simplesmente, burras.
O que era uma excepção e que eu julgava ser um acaso de uma lacuna qualquer cerebral, afinal tornou-se caso corrente, na actualidade. Os jovens são todos assim. São incapazes de procurar conhecimento fora das aulas. São incapazes de raciocinar, relacionar. E são quase incapazes de se interessar. Isto não nos deveria pôr a pensar no rumo do nosso sistema educativo e numa possível mudança do papel dos educadores, tanto professores, como pais?
Mais do que demonstrar a ignorância dos entrevistados, esta reportagem serviu para mostrar como esta geração (ou a maioria, porque é claro que existem sempre mentes pensantes) se encontra completamente desinteressada e alienada da realidade. Não é por não saberem quem pintou o tecto da Capela Sistina, mas porque a resposta, para muitas daquelas perguntas, passa diariamente nas notícias.
Se isto não é importante e grave, e eu estou a ser ressabiada, e a fazer uma tempestade num copo de água, e estou a ser ignorante porque não perco uma oportunidade para apontar o dedo às fraquezas dos outros, bem... Então, já não sei o que dizer.

17/11/2011

Afinal o conhecimento ocupa espaço, buuuuué de espaço!

E o resto do espaço é usado para exibir o penteado da moda, ou as últimas tendências da maquilhagem, ou ainda um chapéu vintage todo supimpa, comprado na feira da ladra, porque é bué de cool.
Não me quero armar em Velho do Restelo e dizer que no meu tempo é que era bom. Não sou, nem nunca fui um génio. Mas que tanta ignorância junta me incomoda, lá isso incomoda.

14/11/2011

Atirar areia para os olhos

Uns varrem sem-abrigos para debaixo do tapete, outros resolvem da noite para o dia, literalmente, o flagelo do tráfico nas favelas.
Talvez seja uma descrente. Talvez esteja a alimentar-me de ficção. Talvez... talvez... Mas, não sei porquê, acho estranho que uma bela noite, centenas de traficantes se tenham assustado com o facto de poderem ser presos e tenham dado à sola. Desvanecendo-se, pura e simplesmente, nos labirintos da Rocinha. Tudo para nos dizer que agora é seguro ir aos Jogos Olímpicos. Vá lá... A sério?

11/11/2011

Procura-se país de clima ameno e sem corrupção para futura emigração

Falava no outro dia com um colega, a.ka. contabilista, quando fui informada de que terei de pagar mais de mil euros, no próximo IRS, por um 13º mês que NUNCA recebo, numa taxa de especial de corrida, provavelmente chamada: Os Trabalhadores Independentes São Ricos p'a Caraças e Podem Perfeitamente Dispensar Mais Um Pouco. Ou então: Trabalhem Mouros! Ou ainda, e esta é a minha favorita: 70% para mim, 30% para ti! E Já Vais Com Sorte!...
Então e só agora sabes isso, tonhó?, pergunta o sábio leitor. Pois, ultimamente, além de andar com um estômago fraco, que me impede de ver a merda que passa nas notícias, também sinto que o cheiro do que vem aí é capaz de me deprimir de tal forma, que ainda sou capaz de optar pela solução grega para a crise e atar uma corda ao pescoço. Ou, então, agarro na pressão de ar do meu pai e vou para a porta do parlamento mandar chumbadas, qual versão light de um serial killer. O que poderia resultar em feridos graves, porque eu tenho uma péssima pontaria. Ou seja, poderia apontar para o rabiosque do nosso querido primeiro-ministro e acertar na careca lustrada do Sr. Portas.
Após estrebuchar toda a minha raiva, cheguei à conclusão de que o melhor seria procurar um outro destino para morar e deixá-los aqui a afogarem-se nas dívidas que fizeram. Mas que país? O Norte seria um destino óbvio. Justiça fiscal, quase nula corrupção, salários melhores... O único problema é mesmo o frio. Vá lá, eu gosto do Inverno, mas este nosso Inverno de temperaturas amenas de 16º. O meu cérebro perde capacidades com temperaturas abaixo dos 10º.
Mais hipóteses? As economias emergentes? China? NO WAY! Brasil? Sol, mar, caipirinha, água de coco... (som do Homer a espumar-se quando vê cerveja) Seria uma opção, mas quando penso nestes países, penso sempre que, apesar de agora terem dinheiro para comprar os nossos títulos de dívida, o dinheiro concentra-se apenas nas mãos de alguns, tal como cá, e que a população vive em condições muito piores do que a nossa. Além disso, trocar os nossos corruptos, pelos corruptos no Brasil é dar um tiro no pé, mesmo que seja só com a pressão de ar.
Foi então que comecei a elaborar uma teoria de como o calor deve ter alguma influência em despertar os piores sentimentos no Homem. Vejamos, os países que ficam uns bons graus acima do Trópico de Câncer, longe das delícias do calor, são os países mais estáveis, em termos económicos. As pessoas gostam de pagar impostos e os poucos corruptos que existem são punidos (a Rússia não conta). Abaixo desses e até à linha do Equador (ou talvez não seja preciso tanto) estão os países que estão medianamente na merda, os corruptos trabalham nas maiores empresas e governo, e os impostos são feitos para se evitarem. Depois temos os países abaixo da linha do Equador, que estão completamente na merda, toda a gente é corrupta e os impostos são as gratificações que se pagam a este ou àquele manfio, para não ter chatices. Haverá certamente, uma ou outra excepção, mal localizada neste mapa, mas não há-de fugir muito a isto.
Portanto, o calor deve ter outra espécie de efeito ainda não estudado. Estas discrepâncias gigantescas não se podem dever apenas ao facto de o calor nos tornar mais preguiçosos. Ou será que sim? Na falta de vontade trabalhar, procuram-se outras soluções de facturação fácil?
Também é interessante olhar para o mapa e pensar em pirâmides de poder. Quem está bem, está sempre na mó de cima, literalmente. Parece que até na Natureza, na ordem das coisas, há qualquer coisa que nos puxa para baixo dos pés de outros. E como somos burros, nunca aprendemos com os exemplos que vêm de cima. Até uma interpretação religiosa dá para fazer, vêem?

07/11/2011

A fonte da Ivian*

Acho que nunca vi um concurso de misses. Ou talvez esteja a mentir. De certeza que, quando era pequena e só tinha 2 canais, me impingiram um ou outro concurso destes (naquela altura em que as candidatas portuguesas eram sempre, estranhamente, feias). Mas os resultados dos concursos são sempre motivo de notícia, por isso fico sempre a saber qual é a nacionalidade da Miss das misses.
Seja por ouvir o nome da Venezuela tantas vezes, ou por já ter visto um outro episódio de novelas venezuelanas, sempre associei este país a uma fonte inesgotável de mulheres bonitas. É um facto que elas se arranjam muito (ainda bem para elas, que conhecem base à prova de derretimento por calor em excesso), mas também é um facto que são lindas para caraças. E isso não implica que sejam idiotas.
Conheço uma venezuelana que é das pessoas mais impressionantes que eu conheço, além de ser linda. Muito discreta, ao contrário do que as suas conterrâneas nos fazem crer, a sua herança genética venezuelana e colombiana é inegável. De tal forma que a mulher tem quase 40 anos e parece ter 18 (sem exagero). Mas não é dela que eu quero falar, apesar das histórias dela darem pano para manga, sobretudo, as histórias de quando a mãe, aproveitando o seu estatuto de mulherão colombiano, decidiu fazer uns trocos através da charlatanice do sobrenatural.
Quero falar do facto da Ivian ser uma mulher formada na área de Recursos Humanos, aparentemente com uma carreira, que, simplesmente, decidiu usufruir do aspecto para viajar pelo mundo, ou (ok) para fazer caridade pelo mundo a fora.
Juro que não compreendo porque é que as feministas se irritam tanto com isto. É que, a sério, já parecem comentários de gente ressabiada.
Não existe pessoa, no meu grupo de amigos, mais chatinha com a léria dos direitos das mulheres. É igualdade para aqui. Equidade para ali. Já na escola, não havia tema de trabalho que não fosse dar à minha propaganda: "As mulheres são boas para caraças e vão dominar o mundo". Mas estas mariquices incomodam-me.
Não percebo como é que o facto de uma mulher decidir usar a sua beleza, pode diminuir de alguma forma a sua imagem. Bem, há usos e usos, mas cada um sabe de si e que imagem quer dar ao mundo.
Aborrecem-me muito os preconceitos de que as mulheres bonitas não podem ser inteligentes e que só podem ter sucesso se usarem o corpo. Bem como me aborrecem os preconceitos de que uma mulher bonita, para ser bem-sucedida, intelectualmente, tenha de "camuflar" o seu aspecto para poder ser aceite em determinados círculos.
E isto, meus amigos, não são preconceitos lançados pelos homens, porque eles querem é ver mulheres bonitas, sejam elas inteligentes ou não (lamento o preconceito machista da minha parte). Estes preconceitos são da autoria de mulheres. Mulheres feministas. A National Geographic, volta e meia, faz documentários sobre os bichos mais venenosos do mundo. Ainda estou à espera de ver um documentário sobre as mulheres.
Feito o reconhecimento da espécie, resta-me declarar que não acho mal nenhum que uma mulher faça uso da sua imagem, para atingir determinado fim. Claro que esta afirmação pode ser muito controversa. Mas não me venham para aqui falar em moral e bons costumes, em direitos de igualdade, em objectos, ou burrice. Trata-se de usar, com inteligência, todos os recursos disponíveis. Nada mais do que isso. Qual é o problema?

* para quem não percebu a piadinha, é um trocadilho com a famosa e cara água Evian.

04/11/2011

São sinais do Natal...

Fico muito feliz que a Popota tenha conseguido resistir à crise e manter o seu trabalho, mas o que terá acontecido à loura escanzelada?

03/11/2011

Wake-up call

Quando as miúdas, que trabalham nas lojas, te começam a tratar por senhora, não é por educação (sabem lá elas o que é isso). É porque pareces, de facto, uma senhora, seja no estilo, ou nas rugas que já não enganam.